São 3, quase 4 da manhã e eu não consigo dormir. Lembro-me de usar este blogue como fuga, escape, quando debitava palavras pequenas para afastar sentimentos enormes.
(Acho que já nem sei escrever. Ou se calhar não quero.)
Há já tempos que estes tempos de Festas me deixam melancólica. Talvez porque, há tempos, estes tempos me marcaram. Lembro-me de passear com o meu cão para exorcizar esses demónios. E ainda assim nunca mais olhei da mesma maneira para uma árvore de natal. Eu, a adoradora de luzinhas, a olhar para elas de forma agridoce. Hoje já não posso passear com o meu cão, no frio, a sentir a cara gelada com as lágrimas quentes. E a falta que me faz. Passeá-lo, entenda-se. Melhor assim, penso agora tantas vezes.
Natal. Altura de família. Reuniões familiares. Almoços. Jantares. Encontros. Obrigações.
Há já tempos que, inconscientemente ou de forma muito consciente, tremo de antecipação pela chegada destes tempos. E eles estão aí à porta. Carregados de requisitos. De obrigações. E eu estou no limbo, presa entre cumprir ou não cumprir. Ser honesta ou adiar. Pôr a máscara, representar, continuar a empurrar com a barriga, ver o mundo pela peneira. Ou simplesmente desistir. E desistir não é perder, sucumbir. É vencer, com a sensação de paz interior, de I did it all! Por mim, para mim, por nós. Mas é Natal.
Ano novo. Vida nova.
Há já tempos que estes tempos não vão bem. 2025 começou terrivelmente. 2025 está a terminar terrivelmente. Ou não. Inunda-me a sensação sofrida, dolorosa mas muito serena de dever cumprido e já não a de profundo falhanço. E há esperança. Quiçá em construir memórias melhores destes tempos que noutros tempos foram memoráveis.
Terapia. Primeiro objetivo de 2026.
Um brinde.
A este silêncio da noite que me grita aos ouvidos e não me deixa dormir.
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Debitem lá essas chatices...