terça-feira, 2 de junho de 2015

Vizinhos

Disponho-me confortavelmente no tapete para fazer os abdominais. À esquerda, um jovem que já lá estava a treinar o six pack; à direita, um moço que sua por todos os poros e que vem da musculação.

São 10 minutos sem parar. Não sei qual é o treino deles. O meu é muito esporádico. Contudo, tenho aulas em que os abdominais são dos músculos a arder. Eles, os homens, têm a mania de ir para ali fazer peito e esquecem-se dos alfinetes e do resto.

Então, aquilo começa. Não vou dizer que era fácil. Vou dizer que eram as variantes a que estou acostumada nas minhas aulas. E não parei. À minha velocidade. Ao meu ritmo. Não parei. Já os maganos... Diacho. Só não parei para rir porque rir, naquele momento específico, só exercita mais os abdominais. Então, o tronco subia e ouvia, à direita, fuuu, à esquerda, fuuu, à direita, fuuu, à esquerda, fuuu, à direita, fuuu, à esquerda, fuuu, à direita, fuuu, à esquerda, fuuu. Quando se desencontravam, era fuuu fuuu, fuuu fuuu, fuuu fuuu. Tipo gatos a assanhar. Ou cobras a preparar o ataque. Durante 10 minutos. A marcar passo. E eu a pensar que, não tardava, era coisa para as veias do pescoço daqueles tipos saltarem disparadas tipo mangueira rebelde.


Há gente muito intensa em tudo o que faz. 

segunda-feira, 1 de junho de 2015

To be or not to be

Dou-me a ares de cabra má mas sou um doce. Ando aqui já numa neura porque daqui a 15 dias diz que tenho que dar nota à moça que arrasta os pés.

Se por um lado não quero lixar ninguém, por outro também não me apetece ser mole. Quero ser justa. E vou passar por má. Porque... MEU DEUS!

O homem diz que sou má. A chefa diz que não. O chefe diz que não. O BFF diz que não. Os utentes dizem que não. Parece que tenho alguma razão. Ruim, ruim, ruim.



Num mercado de trabalho que está tão apinhado, não era suposto os jovens que estão a sair da faculdade quererem brilhar? No meu tempo, isto não era assim...

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Motivação

Aqui há anos, um antigo colega de trabalho aproveitou um alvo de setas para colar caras de pessoas por quem sentia um apreço especial. Devo dizer que conhecia cada uma das pessoas visadas e acrescento que mereciam aquele lugar de mérito.


Eu gostava muito de ter jeito para essas coisas manuais. Percebi que gosto muito muito daquilo dos punch, punch, side kick e já consigo antever um treino diário intenso, bem catita e com grande descarga de adrenalina. Em casa, no conforto d'O Palácio, a qualquer hora, com banheira sem novelhos de cavêlo e com a possibilidade de direccionar o treino a meu bel-prazer.

É isso. Para quando me apetece ir para casa, para quando a tripeirinha não me acompanha, para quando quero descarregar os meus instintos assassinos, para quando me apetecer abanar ao som de música.


Hoje vou ao FB gamar fotos.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

De me pôr a espumar por dentro

Que quer o medicamento X. Pergunto a dosagem. Pergunto a cor da caixa. Diz laranja, só há rosa e roxa azulada. Acha que é a roxa. Os comprimidos são rosa. Lá sei. Mostro a caixa que é selada. Acha que não. Liga para a mulher. Oh Maria, qual é a dosagem daquele medicamento para a tensão? Não sabes? Compraste da última vez. E era rosa ou roxa? Mostro a de dosagem mais baixa. Não lhe diz nada. Diz que leva a mais forte e que parte ao meio. Digo que não deve partir, pergunto se não quer confirmar em casa, se não tem uma caixa, um blister, um recibo. E então... E então...! Então, passa-me a mão pelo braço e ousa Oh minha querida, eu vivo em Angola., com o arzinho mais condescente que já vi.

Acho que fulminei o tipo com o olhar e mordi a língua para não lhe dar o Querida não, sou farmacêutica. Tive vontade de lhe envenenar a água com sal até ao ponto de saturação para lhe dar um belo kick de sódio que justificasse as duas caixas seladas de comprimidos que levou porque não acertou à primeira que abriu.

Quinta-Feira, 11 da manhã, faltam 8h de trabalho

Estou a dormir de olhos abertos.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Para a gente do #fit

Preciso de ténis catitas e baratos, confortáveis para ginásio e respectivas modalidades saltitantes e, ao mesmo tempo, que dêem para andar e, talvez, correr para fugir ao trabalho.


Aceito sugestões. 

terça-feira, 19 de maio de 2015

Nem eu o diria mas estou viva - do tempo ido

Apareci na televisão.
Tenho uma bolha na planta do pé direito que mete respeito.
Ando mantida a café.
Tenho um sono tremendo. Não sei como não adormeço à mesa do almoço.
Luto comigo mesma para ir ao ginásio. Pena que não conte como exercício.
A minha tripeira favorita está de regresso.
A moça desvairada dos miolos quer marcar um jantar.
Preciso urgentemente de férias.
A blogosfera e instalândia está toda grávida.
Não tenho pachorra para escrever aqui.
O CSI Cyber continua mau mau mau.
Querem, porque querem, pôr-me a correr. Antes ir à praia.
Habemus telemóvel, a MEO afinal ainda não morreu.
Cada vez penso mais em pirar-me deste país à beira-mar plantado.
Comer bem e barato é no norte.
Estou a pelar-me por mais caracóis e pelo marisco a rodos.
Está vento ou quê?
Os hospitais privados são tão ou mais rançosos que os públicos.
Ando com um mau feitio, Jasus.
Tenho é que ir trabalhar e não quero.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Sexta-feira ou aquele momento...

Em que decido alterar as minhas rotinas diárias para evitar ser abordada, a quatro passos do café que me desperta para o dia, por um tipo velho que se acha novo e a última brasa do oeste, com a pretensão de me mostrar "o seu hospital" que, se calhar, precisa de uma farmacêutica responsável, que "vamos lá" numa horinha rápida e sou só sorrisos enquanto a minha mulher anda a fazer quimioterapia e se queixa, a chorar, dos filhos bastardos dele, apesar do casamento de 20 anos.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Sempre a aprender

Sacos daqueles de papel do Pingo Doce, revestidos de alumínio. Tudo serve para levar produtos a custo zero.


Um dia, na rua do tasco, sem querer, ainda vou contra uma faca...


Foi uma noite de afazeres

Sonhei com malas. Fazer malas. Arrumar malas. Malas de viagem. Roupa por todo o lado. E agora falta isto, onde está aquilo.

Sonhei com cabides. De metal. Aqueles que dão nas engomadorias. Cabides, muitos cabides. Por todólado.

Estou estafada.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Case-study, a continuação


Continuando no suponhamos, imagine-se que a moça olhou para a foto. De relance. Disse o seu Que nojo, disse Isso não é preto. 

Ele insistiu. Olha bem, é preto!

Ela tapou o nariz e voltou a olhar. 

Ele acrescenta Como profissional de saúde, tens que estar preparada para estas coisas.

Ela opina. Já vejo expectoração demais. Já vi merda num papel. Já vejo fungos em unhas dos pés. Não sou enfermeira ou médica. Isso não é preto. Isso é castanho escuro. Castanho escuro não é preto. Preto é mau sinal. Tinha cheiro?

Ele pensa. Não senti nada demais.

Não era fétido? De mesmo fétido? Impossível?



E vocês? Que dizem disto?

Começo eu. Hipoteticamente. 
Os dois loucos estão bem um para o outro.


Case-study: e tu, o que farias?

É um suponhamos.

A moça está na sala, o moço na wc. Subitamente a porta da casa de banho é aberta e ouve-se uma voz masculina Chega aqui, anda ver o que fiz, é preto e tem grânulos, chega lá aqui! Diz que lhe ensinaram a olhar sempre para o que deita fora.

A moça recusa. O moço não se dá por vencido. Tira foto, vai ter com a moça que continua estendida no sofá da sala e algo apreensiva e mostra-lhe o ecrã do seu telemóvel com a sua masterpiece, sanita com recheio. 

Como é que reagiriam?


P.S. : Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência. 

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Querido Santo dos Impacientes

Dá-me forças, faz de mim uma moça bem-educada e bem-disposta, tira-me os olhos da cara que eu vou-m'a elas ou então dá-me força a dobrar que estou aqui com uma vontade de começar a partir ossos que nem sei.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Fim de semana

Comi sushi até rebolar.
Deitei tarde e tarde acordei.
Tive 24h para jogar às frutinhas com vidas infinitas.
Fiz uma gelatina de frutos silvestres que acabou por se tornar num sumo com morangos, banana e abacaxi.
Vi a Lista de Schindler.
Vi o The Room e, acreditem, é pior que qualquer crítica que procurem.
As costas continuaram a dar sinal.
Não peguei num único livro.
Bebi lambrusco e licor de sabugueiro.
Vi o funeral do marido da Grey e o nascimento do filho de pai morto.
E fiz muito mais coisas mas infelizmente é segunda e há que trabalhar.

Adeus e até mais tarde.