Disponho-me confortavelmente no tapete para fazer os abdominais. À esquerda, um jovem que já lá estava a treinar o six pack; à direita, um moço que sua por todos os poros e que vem da musculação.
São 10 minutos sem parar. Não sei qual é o treino deles. O meu é muito esporádico. Contudo, tenho aulas em que os abdominais são dos músculos a arder. Eles, os homens, têm a mania de ir para ali fazer peito e esquecem-se dos alfinetes e do resto.
Então, aquilo começa. Não vou dizer que era fácil. Vou dizer que eram as variantes a que estou acostumada nas minhas aulas. E não parei. À minha velocidade. Ao meu ritmo. Não parei. Já os maganos... Diacho. Só não parei para rir porque rir, naquele momento específico, só exercita mais os abdominais. Então, o tronco subia e ouvia, à direita, fuuu, à esquerda, fuuu, à direita, fuuu, à esquerda, fuuu, à direita, fuuu, à esquerda, fuuu, à direita, fuuu, à esquerda, fuuu. Quando se desencontravam, era fuuu fuuu, fuuu fuuu, fuuu fuuu. Tipo gatos a assanhar. Ou cobras a preparar o ataque. Durante 10 minutos. A marcar passo. E eu a pensar que, não tardava, era coisa para as veias do pescoço daqueles tipos saltarem disparadas tipo mangueira rebelde.
Há gente muito intensa em tudo o que faz.


