terça-feira, 31 de março de 2015

Eu, a orientadora

Sou má. De acordo com o homem, sou má. Tenho sempre coisas várias a apontar às pequenas que me passam pela mão no local de trabalho. Mentira, que a minha tripeira de cabelo até ao rabo era e ainda é aplaudida e pessoa saudosa. A que se seguiu gostava muito de estar sentada a brincar com o telemóvel. Vi melhoras ao fim de muito tempo. Actualmente, a de cabelo até ao rabo e que arrasta os pés, que já ficou marcada por alguns utentes e por um colega de trabalho, gosta de deixar as pessoas à espera enquanto se passeia pela página da Mango a ver os modelitos que pode passear por Lisboa enquanto não volta para a ilha.


Eu não sou má. Quando me importava, era muito exigente, dirigi estágios de que me orgulho e fui apontada como "a que lhes ensinou tudo o que sabem". Agora, que não posso querer saber menos porque eles querem saber ainda menos, só espero o mínimo.


Se eu desse a nota? Oh amigos, enterravam a cabeça de vergonha.

Revelo determinado grau de urticária com expressões como...

Comida do bem.
Fit.
Mega.

segunda-feira, 30 de março de 2015

Teoria da conspiração

Quantos de vocês se juntam a mim nesta coisa de acharem esta história do piloto muito estranha? Primeiro porque fez um tratamento, depois que estava no psiquiatra, depois a ex-namorada, o suposto filho, a baixa psiquiátrica, a visão com problemas, o quero deixar a minha marca no mundo, a tendência suicida...?

A ser num filme, isto era tudo tramóia da companhia aérea...

quinta-feira, 26 de março de 2015

Rave ou como devo ter sido uma menina muito má noutra vida

Ponho a chave na porta de casa, abro-a e oiço logo, logo, logo a merda dos acordes da musiqueta dos Coldplay. Não bastando ser dos Coldplay, que não aturo porque a modinha é sempre a mesma, o pianista falha nos acordes, repete, volta a tocar, e outra vez e quando finalmente acerta tem uma grupeta de fãs histéricas aos berros, mas uns senhores berros, e ainda a bater palmas. OH DEUS, E ELAS CANTAM!!


Não podia ser um jazz?
22h. Posso chamar a bófia?

Teimosia, falta de juízo ou perseverança

Em dois dias, fiz três aulas. Duas de pernas, uma de tudo. Não me consigo mexer, pareço uma pata a andar, tenho o nalguedo todo dorido, fazer o chichizinho é uma provação.

Hoje, e já que amanhã não me dá jeito, insisti comigo própria que não podia faltar à aula a que vou sempre. Pranchas, que bom. Agachamentos, hmmmmmm. 

Ontem, não sei como cheguei a casa. Hoje, vou de rastos.


Olho para a coisa

Ontem à noite, eu distraída com as minhas coisas e ele distraído com as dele.


Passeio pelo Feice, vejo as novidades do dia e deparo-me com o que foi o hit do dia de ontem. Vejo com atenção, apercebo-me do potencial e quero mostrar-lhe a nova visto que somos os dois bons fãs do género. 


Género tropical urbano. Latina news. 30 anos de música. 

O marido como #beardedlove #lumberlove #barbudoinsuflado #testosteronaamil.
A-M-O!



Mas só lhe mostro a partir de determinado momento. 
E ele diz E então? É um homem, de certeza.


quarta-feira, 25 de março de 2015

Andar novo

Meia hora de bicla, sobe e desce, carga, mais carga, mais carga ainda, agacha, levanta o tronco, mãos em cima, mãos em baixo, encaracola tenho o rabo dorido que me sento de ladecos e ando desconjuntada.

Preciso fazer calo para não dar por nada como todos os outros companheiros de corrida daquela aula que ali estavam, porte de girafa altiva, como se não houvesse um selim rijo que nem cornos a machucar-lhes o períneo.

terça-feira, 24 de março de 2015

E a parva sou eu!

A empregada da limpeza entra atrasada, 10 minutos depois da hora, 20 minutos depois de mim. Eu saio para almoço 4 minutos depois da hora, ela sai antes de mim.

segunda-feira, 23 de março de 2015

Fui à loja do mestre André e comprei um pianinho, plim plim plim, um pianinho.

Deitei-me na sexta às 2h30 da manhã depois de um serão em casa de amigas. Acordei às 7h30 para ir trabalhar. Devo ter adormecido 1h à tarde, no sofá, depois de uma caminhada pelas redondezas d'O Palácio. Pelas 2h da manhã, estava na cama já depois de adormecer no sofá. Fui acordada às 7h30 da manhã de Domingo. Demorei cerca de 1h para voltar a adormecer. Estava na disposição de acordar a meio da tarde, vá, à hora de almoço, pelo menos, porque sei que não consigo dormir tanto. 11h da manhã, pianada. O meu rico vizinho, que tantos sorrisos me dá quando chego a casa moída de um dia de trabalho, resolve presentear-me com uma bela pianada. Coldplay. Já vos disse como detesto Coldplay?

Domingo à noite, 2h30 de filme, meia esticada no sofá, cabeça de lado para ver o Bale armado em bíblico, fico com o pescoço todo enguiçado. Ainda vou à TVI ver aquilo do #dcae e o chumaço volumoso (!!!!!) que puseram no entrepernas do Pedrinho Azul-Primavera e cama à 1h da manhã. Acordo às 6h com um cotovelo do homem nas costas, depois na cara, depois ele a dormir e a tentar manter a posição de patrão sem o cotovelo me tocar, a minha cabeça a latejar, a luminosidade a começar a bater-me nos olhos e eu sem coragem mas com uma vontade imensa de assobiar para espantar o comboiinho que passava ali nas redondezas. Levanto-me, paracetamol de pequeno almoço, ponho um tapa-olhos sexy, nariz entupido, faltam menos de 2h para ter que me levantar, quero dormir bem só este pedacinho, que tenho que voltar à cadeira do carniceiro. Nariz entupido, boca seca, língua já a cortar, pianada. Acordo antes do despertador com pianada. Clássica, mas pianada. Não sei se aquilo reverbera pelas casas todas, se o vizinho tem colunas ligadas àquilo mas era no quarto, era na casa de banho, era na sala. 

Vou arrancar-lhe as cordas do piano e suspendê-lo desde o cimo do prédio, nu, numa noite de chuva e trovoada com uns anéis bem metálicos na pilinha.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Ainda não é desta

Pus o alarme para conseguir marcar a aula. Aula tardia mas daquelas de gaja, de quatro, rabo para o ar, perninhas para cima, mamocas à vista. Diz-me o homem que está a chegar o Virão e que por isso não consegui a minha vaga. A saber, vai num mês e meio que ando a pagar a renda e nem o banho lá vou tomar.

Pensei, Diacho, existem lá máquinas, já fui tão feliz nas máquinas, passadeiras, elípticas e biclas, vou nem que seja aos pesos, apesar da vontade ser nula. Aí o homem diz-me que vai chegar a casa mais cedo, que era boa ideia eu esperá-lo na cama.
If you know what i mean
Too much?

Não é para ser hoje ainda...

Gostava de ser o Eduardo Mãos de Tesoura

Dou por mim a ouvir diariamente uma moça a arrastar os pés quando anda e permanentemente a mexer no cabelo. Que lhe chega ao rabo. Diariamente. Permanentemente.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Vou enriquecer subtilmente

De manhãzinha, ao pôr-do-sol, dias de semana ou fins de semana. 

O meu plano passa por atacar os atletas, nas suas calcinhas de lycra, que se passeiam com ténis de 100€, relógios de quase 200€ e telemóveis de 500€.

Um por dia e deve dar para o gasto.

sexta-feira, 13 de março de 2015

Posta à prova - contenção de vómito

Aquele cheiro. Aquele cheiro a morto-vivo ou a urina seca entranhada no tecido ou a sebum numa roupa que nunca viu água e detergente. À minha frente a pedir-me paracetamol. Unhas limpas, cabelo lavado. Cheiro absolutamente nauseabundo. Absolutamente.


Aquele sabor. Aquele sabor a vaselina rançosa, petróleo fétido. Aquele sabor absolutamente incomportável que me fez olhar para o relógio de 3 em 3 minutos até fazer 24 minutos do que deveriam ser 30 e que me fez sentir movimentos anormais no esófago do género "Aí vem o jantar ligeiro". Aquele sabor pavoroso que me fez repelir a ideia de voltar a pôr aquela pomada nojenta num buraco de um dente logo a seguir ao pequeno almoço ou a caminho do trabalho porque ia saltar fora. Aquela pomada que serve para conjuntivites e assim, e que devo manter num alvéolo dentário com uma compressa durante 30 minutos, mas que escorre para a língua, duas vezes ao dia.


Já sinto o almoço a subir.