quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

E hoje foi em bom ou em mau?


Estava a trabalhar, entretida, rabo sentado, olhos no computador. Tive o azar de olhar para trás e de ver o senhor. Voltei ao trabalho. Tive a infelicidade de ter que me dirigir ao balcão. Cumprimentei-o e acho que devo ter entrado em modo "não sei, não vejo, não oiço" porque me apercebi que ele estava a falar de mim a uma colega mas não percebi o quê. Ignorei.
Gaja atreita a frieiras que sou, resolvo-me a pôr creme nas mãos. Ora o que lá ia ele comprar? Um creme de mãos específico que já não existe.
- Estou a vê-la, estou a controlá-la, parece-me que se usa esse é porque é bom e também devo querer. Confio em si e no seu bom gosto.

Dou-lhe a treta do cheiro agradável, do não ser gorduroso e lá me levanto, amorosa que sou, e lá lhe vou espetar 2 amostras na mão para ele experimentar, sempre com o meu melhor (?) sorriso. Volto ao meu trabalho, volto a fechar olhos e ouvidos e às tantas, ele já não estava. Perguntei à colega que raio estava ele a falar de mim.
- Queria saber de que grande desgosto estavas a sofrer para estares visivelmente mais magra.

Que todos os desgostos fossem...
Ah e sabem quem é ele?

A minha vida tem sido isto

- Estás feliz?
- Sim. E tu?
- Muito.


terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Mais tempo houvesse...

Saí para o almoço. Disse, Adeus.
- Adeus? Até já!
- Até já? Vou comer até ficar a deitar por fora e a rebolar e não sei se volto.

Acho que as calças novas já não caem...

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Do tempo que passou

Partida. Largada. Fugida.

Aí fui eu. Nós.
Para o frio. Para a lareira. Para a geada da madrugada. Para o aconchego de um lar. Para os Ferrero Rocher. Para a neblina nocturna. Para os doces caseiros. Para os licores ricos em álcool. Para uma cama diferente. Para torradas feitas na lareira. Para uma alvorada tardia, depois da ronha de Domingo. Para um sol quente a aquecer o corpo. Para matar saudades. Para rir, comer e beber. Para aprender que há rabos tão grandes que se fossem torradas só podiam ser barrados com um remo. Para uma visita turística. Para dar azo a novas relações. Para me rir por dentro com uma pergunta que me ficou. Para jogar no tablet alheio. Para usar gorros e cachecóis. Para pedir mais gorros e cachecóis. Para regressar ao fim do dia. Para viajar de noite. Para chegarmos a casa e eu perceber que promessas são promessas, que a cama seria a primeira paragem da noite, que o frio é psicológico e passa numa questão de minutos. Bastam dois corpos muito quentes e expectantes...

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Dêem-me um ar de vossa graça, faxabor.

Aqui me despeço, porque sinto que não terei mais a dizer-vos hoje neste tasco, com votos de um fim de semana cheio de sexo, drogas, rock e o mais que vos aprouver, e deixando-vos com umas perguntinhas.


Orgasmos em simultâneo.
Existem.
Muito? Pouco? Raramente?
É um sinal de sintonia sexual no casal? É uma casualidade? É um objectivo?
São aquela raridade que vos contaram na adolescência ou que se vê nos filmes? É só mais um acontecimento na cama de um casal?
Ao longo da vida, com diferentes pessoas, aconteceu? É um mito? É um orgulho? É um fenómeno transcendente?


Contem-me tudo. Please.

Aquele momento em que vais a deambular na rua na tua

A tentar não pensar que estás em jejum, que tens um penso no braço e que tiveste que fazer o pipi para o copo duas vezes porque o primeiro verteu, a pensar naquilo que te dizem, de noite às escuras, e que te fazem rir e sorrir enquanto estás aninhada pele com pele noutro corpo, a pensar no Natal e nas prendas que não comprei e que não me apetece perder tempo a comprar, a pensar no jantar de Natal do tasco e no fim‑de‑semana que se aproxima. Isto enquanto te diriges para o café de sempre, ainda que falte uma hora para te pores a trabuquir, para comeres aquele fantástico pão de sementes com queijo.

Estou à espera para atravessar a rua quando vejo a sobrinha da dona A. do lado oposto. O sinal está verde para os peões mas não me movo e espero que a senhora chegue até mim. Dou-lhe os meus sentimentos, falamos sobre a tia. Conheci a dona A. há três anos atrás. Vinha medir a tensão arterial diariamente. Por hábito, diria. Completamente descompensada. Não ligava nenhuma. Um dia cheguei ao trabalho e levei com a notícia do AVC. Não falava, não mexia, acamada. Fez fisioterapia, fez terapia de fala. Percebia-nos, falava por gestos acompanhados de gemidos. Continuava a ir medir a tensão pelo próprio pé. Agora acompanhada pela filha ou sobrinha. A diabetes estava controladíssima pela filha sempre presente e em cima do acontecimento. Tínhamos insulina só para ela. A hipertensão idem, controlada por um conjunto de medicamentos dados sempre à hora certa. Notícia de um tumor. No fígado. Zona abdominal sempre inchada. Úlcera causada por anti-inflamatórios, fezes com sangue, internamentos sucessivos.

Desta vez, estava na casa da família no norte. Veio directamente para o hospital em Lisboa. "Rebentaram-lhe os órgãos". Inchada, ainda depois de aspirado o líquido da zona abdominal, a escorrer sangue pela boca, um babete a amparar os fluidos, os lábios inchados e negros, de olhos fechados. Esta é a ultima imagem que a família tem dela. Essa e a do caixão a entrar no forno crematório. Por qualquer estranha razão, faz-me lembrar o meu avô. Não sei lidar com visitas ao hospital, com despedidas, com a decadência física e a dependência dos outros. Dói-me. Como desde pequena, quando ia passear à Baixa com a mãe e via os mendigos a pedir na rua, ao frio. Dizia sempre à mãe para dar moedas enquanto tinha os olhos cheios de lágrimas e acabava o passeio triste e com o coração pequenino.

Acredito que a dona A. está melhor agora e que a sua família, a seu tempo, perceberá que aquela era a sua hora, talvez já há muito adiada. Eu continuarei a recordá-la como a senhora bem disposta que cantava, ria e distribuía beijinhos ao chegar e ao sair.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Desembrulha-me (em sonhos)

Era de noite. Eu esperava por ti na cama, a aquecer-te o lugar. A luz já estava apagada. Pediste que te cedesse o lado da cama e que tivesse cuidado com as mãos geladas. Estavas nu ao contrário de mim, achavas. Referiste o meu pijama no momento em que me tocaste. Sentiste algo diferente, mais suave ao toque que uma roupa de inverno. Passaste as mãos na minha cintura, nas minhas ancas, nas minhas pernas, nas minhas costas, no meu peito. Novidade. Surpresa. Um tecido agradável, convidativo. 

Posso ver? Primeiro quis que visses com as mãos. Que decorasses os pormenores tactilmente. Que me cheirasses, provasses. Peguei-te na mão. Fiz-te sentir quatro laços, quatro pequenos laços. É para abrir? Quiseste ver. Acendi a luz. Não sei o que pensaste, não sei o que sentiste, não sei se gostaste.

- Desembrulha-me.

- Toca-te.

- Gosto tanto de te ver.

Acordei. Com os laços com que sonhei.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Iutubi...

Hora do almoço.
Fim do prato.
- E sobremesa, quer?


O Tico e Teco sinapsam, levam-me para casa, para a altura em que me perguntam E para sobremesa?, e eu respondo no meu melhor sotaque brasileiro Tem tangerina. Óbvio que a isto se segue o hit: foder, foder, Mário Alberto, eu quero foder.

Provação diária.


Sair da cama.

Assim que ponho o nariz de fora, sinto o frio. O braço procura o telemóvel para fazer aquilo do snooze e volta gelado. O homem que dorme comigo vira-me as costas nuas e impele-me a abraçá-lo e a beijá-lo, tentando-me para não me levantar. A custo, saio da cama num salto. Raio de hábito de tomar banho de manhã. Cabelo enrolado na toalha e volto para a cama. Fico até à última, até ao limite do não chegar atrasada e de me permitir sorver um café. Saio da cama, visto-me, maquilho-me. Volto para a cama. A desculpa que uso é que tenho que o obrigar a acordar.


A minha vontade? Ir para a cama cedo cedo e permitir-me gozar aquele 
quentinho acompanhada tempos infindos.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Surprise

E lá estava eu a coçar a micose, a aguardar que entrasse alguém no tasco que me desse o que fazer quando vejo uma figurinha esbelta a vir ter comigo. Era uma figurinha por mim muito apreciada que teve direito aos beijinhos da praxe e ao abraço gostoso que se dá a quem se conta tudo. Que surpresa boa. Pois que veio saber das minhas melhoras, da minha vida, do meu futuro, das minhas decisões. 

E lá estávamos em amena cavaqueira quando os nossos telemóveis tocam. Rimo-nos porque sabemos o que é, para o que é. Toques personalizados. Eu trabalho mas a figurinha pode entreter-se com o telemóvel. O meu toca, vai tocando, continua a tocar. Plim plim. Tenho vontade de dizer: aaaai, pára. A minha utente ri-se com o toque. A conversa que era a 2 passa a 4, com o habitual tough love à mistura, com muito "adoro" pelo meio porque parece que eu estava particularmente apuradinha. 

A 4 ri-se da vida, corta-se na casaca, fala-se em prenhas e em tartes de maçãs. A 2 fala-se de coisas sérias, de vidas cruzadas, de medos e de aventuras. A 4 é giro. A 2 nem tanto. 

Hoje pedia-se um café prolongado. Não foi possível. Novo dia virá.

He's back.

O raio do escritor aparece na farmácia. Felizmente estou ocupada e não sou eu a atendê-lo. Vê-me, cumprimenta-me e lá me volto a posicionar de costas. Tenho aquele problema de cantar tudo e a toda a hora. Acresce o problema de gostar de dançar. No caso, de dar às perninhas. Topa-me e diz: que belo trabalho, uma bela visão a dançar.


No almoço, no tasco de sempre, lá estou agarrada ao telemóvel. Vejo alguém a aproximar-se pelo canto do olho. Fuck. Fala-me da tosse persistente que me ouve, diz que as romãs me fariam bem, pergunta se quero mais porque têm óptimas propriedades. Acrescenta: fazer-lhe um excelente ar não fazem, só porque já o tem.



Apeteceu-me tossir o estômago para cima dele...

Quando é que deixamos de bater com a cabeça?

A errar é que se aprende. Infelizmente. Gostaria de não ter que passar por X e Y para perceber que o caminho não é aquele. Principalmente porque, tão boa aluna que sempre fui, mas na vida nunca aprendi à primeira. Bati com a cabeça uma, duas, três vezes até me endireitar. Claro que quando me endireitei não voltei a olhar para trás. Não da mesma forma. Gata escaldada... Deixou de fazer sentido. Mas até lá, as tentativas falhadas destruíram-me o espírito, fizeram-me andar na lama, na merda, a rastejar pelo chão e a encolher-me no meu canto sem querer companhia. A duvidar de mim, da minha sanidade, da minha afamada sensatez, da minha personalidade. A envergonhar-me de mim. Das minhas acções que iam contra os meus pensamentos. E depois, puff, houve qualquer coisa, um dia, que me fez acordar para a vida e apreender a matéria dada.
A vida é madrasta e boa professora. Vem com assistentes que te querem bem, que te ajudam, que te abrem os olhos. Hoje, passei para segundo plano. Sou assistente. Vejo a vida dos outros. Dou conselhos. Dou na cabeça. Se me pedem conselhos, ainda que chorem à minha frente, digo o que penso. Ainda que sendo o que não querem ouvir. E quando voltam a cair de cabeça num poço com fundo já conhecido, digo que vou estar lá para amparar a queda. Mais, ainda digo, aproveita. Porque se é para tentar, que seja à séria. E perguntam-me: só isso, só me vais dizer isso? Mas vale a pena dizer para não o voltares a fazer? Vale a pena dar-te na cabeça? Vale a pena lembrar-te de há quando tempo andas nisto? Vale a pena lembrar-te o que tens passado? Não vale. Recair custa muito menos. O hábito, a rotina, a dependência, a incapacidade de nos afastarmos de algo que queremos muito... É tão mais fácil desistir de lutar e ceder. Mas um dia, a auto-preservação, a vergonha, a humilhação serão maiores. Nesse dia, fodeste tanto a cabeça que já não há mais o que estragar. Até lá, espero que aproveites, que seja à séria mas que te resguardes, que andes com pés de algodão, mesmo com um pé atrás. À coca. Porque acredito que esse dia vai chegar. E, de alguma forma, convém que a máscara de frieza que por vezes te vejo seja mais do que uma máscara. Desejo ardentemente que seja a tua pele. Por ti. Pela tua vida e pela dos que te são próximos.

Já dizem os outros, à tarde é que é bom

- Estás a ficar mais magra, então? Não comeste até rebolar? Assim não perco um minuto contigo. Sabes uma coisa? Não podes ir à fonte com tanta sede... A água não acaba!
- Oh homem, largue a rapariga. Há uma semana que o oiço e que se aproveita do estado dela e da suposta magreza para a apalpar! O que lhe vale é que ela trabalha de costas para si e você só lhe pode apalpar as costas. Se estivesse sentada de frente queria ver o que lhe apalpava...


Sou uma pequena invisível no meu local de trabalho...

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Cenário. Take III.

Sofá, sala.
Estou adormecida em cima do peito dele. Estamos tapados com uma manta. Sinto-me muito quente. O braço começa a ficar dormente. Acordo. "Vamos para a cama?", pergunta-me ele. Fui à frente. Despi-me, pensei no pijama. "Esquece, vou ter calor." Cama, quarto às escuras. Oiço-o lá fora. Apago por momentos. Chega ao quarto e acende a luz. Desperto. Apaga a luz e enfia-se na cama pelo meu lado. Beijos, abraços. Passa-me por cima. Beijos, abraços. Aninhamos. Apercebe-se que estou com muito pouca roupa. Beijos, abraços. Mais beijos e mais abraços. A coisa aquece, os beijos deixam de ser só nos lábios, as mãos passeiam, perde-se a roupa que sobra, o calor aumenta, os corpos ondulam, os lençóis são atirados para trás. De repente só me apercebo que estamos atravessados na cama e que os vizinhos continuam com razões de queixa. Mas parece que não são os únicos.

- Não fiquei a ver o resto do filme depois do intervalo para não adormecer tarde para acordar cedo e tu fazes-me isto.



Uns com tanto e outros com tão pouco. Também perdi uma parte do X Factor porque passei ali uns bons momentos de olhos fechados e não me queixei. Há prioridades!

E o vosso fim‑de‑semana?

Sábado.
Quatro compromissos.
Uma vista do Tejo, comida até sair a rebolar, a minha sobrinha emprestada com cheiro a mustela, comida e bebida até sair a rebolar. Pé na cama praticamente às 4h.

Domingo.
Acordar definitivamente às 12h, levantar às 14h.
Enorme vontade de adormecer no quentinho da manta e da companhia quando vejo o filme de que falei há 3 ou 4 dias a passar na tv. Pronto, ar circunspecto, lágrimas a rolar e coração apertadito. X Factor. Não comento. Filme. Ninho. Adormeço. Cama. Desperto. Desperto os vizinhos também. 3 da manhã.



Preciso de um fim‑de‑semana para descansar do fim‑de‑semana. Bale?