sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Dá Deus nozes a quem não tem dentes

Pois lá estava eu, entretidíssima a trabalhar, mais uma vez a fazer aquilo que só eu faço, que ninguém faz por mim e se põe para o lado para eu resolver quando bem me aprouver.

Oiço a chefa:
- Chaty!!! &;@€£¥#%$.
- Oi? - aproximo-me do gabinete dela.
- Tens que ser mais selectiva.
A conversa começa por me assustar. Selectiva a que santo propósito?
- Passa o anúncio do Panda e tu começas " bem-vindo ao baaairro do paaaandaaa", passa o do nasorhinatiol e oiço-te "nasorhinatiol mucoral". Até os anúncios? Cantas tudo!

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Sinto-me quase outra

Ferrei o dente em batatas fritas, em donuts, num simples pão com queijo e fiambre.

Quis ver, à noite e depois de um dia de trabalho, um filme a tender para o pesado com argumento verídico em vez de uma treta qualquer para me rir e desanuviar.

Sorrio. Sorrio e falo com muito menos dor.

Está um frio delicioso. Pede mantas, sofá, calor humano.

Rio. Kakakakaka. Sou gozada e rio. Sou gravada a falar, sou gozada e rio. Sou gravada a falar debaixo dos lençóis, sou gozada e rio. Sou gravada a falar debaixo dos lençóis acusada de anasalamento, sou gozada e rio.

Finalmente, vejo muita muita luz ao fundo do túnel.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Voltei do mundo dos quase-mortos

Estou a trabalhar, diacho. Consigo falar. Como razoavelmente. As gengivas lá se queixam, a zona dos ouvidos ainda faz grxxxx grxxx mas confio que os cristalinhos de penicilina estão a fazer o seu serviço com tempo.

Estou acompanhada pela colega mais velha. Estou tão boazinha que agora é assim que a identifico. Há coisas piores. Falamos sobre o meu mais recente estado. Pergunta-me Emagreceste?. Digo que as minhas calças novas me estão a cair. É, portanto, provável que sim. Dispo a bata, sigo para a balança. Sou uma gaja feliz. Que não me lembro de ver estes númbaros há muito tempo. Muuuuito tempo. 

É como lhes digo. Uma amigdalite por mês e nem sei o bem que me fazia.
Eu e ele agradecemos...

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Sonho com...

...pizza.
...torradas.
...castanhas assadas.
...bolo-rei.
...Big Mac.
...sushi.
...pão de cereais com queijo.
...pastel de nata.
...bitoque.
...caramelos de fruta.
...álcool fresquinho.
...chocolates.
...maçãs verdes.
...cenouras cruas.
...ossos de frango assado.
...batatas fritas de pacote.
...iogurtes gregos com cereais.
...bolachas maria.
...mil-folhas.
...merendas mistas.
...pastilha elástica.
...gelado de caramelo.
Nota-se muito que ando a passar uma certa fominha?

Segunda Feira da Chata em versão curta

Segunda, 17h30, entrada nas urgências.
Segunda, 23h45, saída das urgências.


Pelo caminho, pulseira amarela, cigana a oferecer porrada a um segurança, gengivas a sangrar, dificuldade em engolir, 4h30 de espera para ver uma médica (com cunha) e entretanto levar uma injecção de penicilina no rabo (ainda acho que só me injectaram água, não senti/sinto dor nenhuma).


Recuso-me a falar sobre a triagem de Manchester, sobre aquelas urgências em particular e sobre o quão desesperante é ouvir falar em 5h de atraso no atendimento de uma sala cheia de gente com pulseira amarela.

Agora resta-me dizer-vos que, once more, estou de molho em casa, obrigada pela BFF e pela chefa e que, mais que o rabo ou a garganta, me doem as gengivas e que não mais gozarei com os velhos que não têm placa, mastigam com as gengives e as têm todas inflamadas. Neste preciso momento, o que gostava mesmo mesmo mesmo de ter em casa eram mordedores de bebés que vão ao frigorífico. Ou então vou ali morder uma delícia do mar...
dentes-bebe

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

E então, melhor?

Sábado à noite os senhores do sushi acharam por bem fazer-me uma entrega em casa. Perfeito, adoro. Como diz a minha chefa, cada peça, tirando os adoráveis temaki, são para ser comidos de uma só vez. Boca cheia à monstro das bolachas. Ora, que tem isto a ver para o caso? Sabem os nigiri? Quase tive de os desfazer para conseguir comer. Bendito sashimi.


Então mas e o antibiótico? Estamos no quinto e último dia. Não estou boa? Não. E agora? Começo a implorar por uma injecção de cristais no rabo.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Não temam, ainda estou viva

À medida que o efeito do analgésico anti-inflamatório passa, cada vez menos. Mas estou viva.

A minha equipa de trabalho não contava comigo. Achava que devia ter ficado em casa. Quando cheguei, vi caixas e caixas e caixas à minha espera. Tão bom. Sem ironia. Enquanto andei à volta daquilo tudo, não pensei nestas gengivas que me doem como se tivesse queimado a boca toda com sopa a ferver. Assim que acabei, não resisti ao copinho de água a saber a menta que me permitiu acabar de comer... Uma sopa.

Atendi umas 3 pessoas ao balcão. É giro perguntar quem está a seguir, mal me ouvir e ver as pessoas a tentarem ler-me os lábios.

Ao telefone, uma colega diz que não me consegue ouvir. Ao telefone, uma utente pergunta se estou doente. Ao telefone, chamo um colega com estalinhos de dedos porque não consigo falar com ele. Ao telefone, uma amiga diz Que voz tão infectada. Ao telefone, a chefa espanta-se com a ausência de grandes melhoras.

O colega mostra-me uma seringa de 50cc e volta a falar-me da penicilina no rabo. A colega mais velha aconselha-me a aumentar o tempo de tratamento com o antibiótico. A colega mais nova ri-se de mim porque acha giro o meu atendimento ao balcão.

Espera, apeteceu-me comer mais qualquer coisa além da sopa. Falei com o sócio da pastelaria que me costuma oferecer o café. Tem sobremesas que sejam molinhas? Ele ri-se e esbugalha os olhos. Não sei se é da voz ou da pergunta.

Antes de sair do tasco, tiro a bata e ponho o casaco. Oiço Já não tens cu para encher as calças! Foda-se. As calças que me caíam melhor. A seguir peso-me. Tenho a certeza que o que escreverei a seguir será qualquer coisa como Uma amigdalite fodida por mês não sabes o bem que te fazia.

Levanta o cu da cama e vai trabalhar

É assim que me trato. "Alça o pandeiro do colchão e vai ganhar a vida."

O gajo que me faz expulsar as toxinas pela transpiração chama-me tontinha e, apesar de me gozar, acha que devia ficar em casa até me curar. A chefa pergunta em caps lock se tenho a certeza, se me sinto melhor.

Eu sinto a boca toda minada. As gengivas, as bochechas, os dentes, as amígdalas. Ontem temi pelos ouvidos. Falso alarme, felizmente. Estou a antibiótico. Genérico. Vergastadas nas costas, vá. Espero que não tenha só açúcar lá dentro. Hoje, lá se abriu outra embalagem de anti-inflamatório. Genérico. Diacho, muito melhor, que este sabe a menta. E depois de beber aquela mistela a minha garganta fica logo outra.

Estou a caminho do trabalho. Está um vento cortante e ninguém me avisou. Bebi um iogurte como pequeno almoço e preciso de café.



Não sei mas soa-me que vai ser um fim‑de‑semana de cuddling no sofá a ver luzinhas a piscar.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Se não me puder queixar aqui, onde poderei?

Pior noite dos últimos dias. Acordar a breves trechos para conseguir engolir. Mete-se na cabeça de alguém?
O despertador toca. Não para mim. Snooze. Mais snooze. Abracinho. Miminho.
Tunga, sozinha na cama. Isso significa que se acaba o modo Natural e se entra em modo Pijama. Na despedida, Não adormeças, não te esqueças que vais trabalhar.
Adormeço. O despertador toca. Cabrão. Mentalizar-me que é para ir trabalhar. Falar com pessoas. Falar. Engolir. Comer. Ter que comer para me manter de pé. Comer. Engolir. Oh meu deus.
Casa de banho. Água a aquecer para banho. O bem que me sabe direccionar o jacto de água quente para o pescoço. Olho para a minha cara ao espelho. Nice. Agora sim, convido a que me chamem amarela e mal encarada. Atiro-me para a cama para aquecer e ganhar coragem para me fazer à vida. Rezo pelo antibiótico e pelo spray que me foram entregues em mão ontem à noite pela chefa que só faltou dar-me um chuto e dizer Mete-me esse rabo dentro de casa já imediatamente. É simples, eu sou resistente a antibióticos. Em casa de ferreiro, espeto de pau. Mas já chega. Não sei mas acho que até sonhei com a foto que me enviaram que metia três colegas de trabalho, três seringas e três caixas de penicilina injectável. 

A despachar. Calças, blusa não muito quente porque o tasco com as suas luzes e a bata por cima são um inferno de Verão ou Inverno. Um cachecol enroladíssimo à volta do pescoço. Brincos pérola. Só. A sério, isso denuncia bastante o Estou a cagar-me para isto. Secar o cabelo. Pá, eu não seco o cabelo. Maquilhar. O que posso fazer desta cara? Admito que o blush foi a melhor coisinha que comprei. E que a máscara de pestanas e um gloss fazem milagres. Além do corrector de olheiras, claro. 

Preparação do anti-inflamatório. Porra. Aquela merda sabe mal, precisa de dois copázios para dissolver. Eu adoro água. Eu tenho sede. Eu sonho com água. Mas eu não consigo beber 2 golos seguidos sem ficar com lágrimas nos olhos. Portanto, 2 copos de água em golinhos intervalados. Não soubesse já o que custa engolir com uma sonda naso-gástrica e diria que queria uma para mim. Leite com café a aquecer. 2 broas castelar só para não dizer que não como nada. Claro que molhadas no leite. Bebo 1/4 do leite e não consigo mais. O telemóvel toca. É a chefa. E então, toda vestida, só a faltar o casaco e as botas, ela diz: Não te quero aqui doente (li Pelo amor da Santa, não me transmitas essa merda que ainda me lembro do rabo dorido durante uma semana), vê se te pões saudável (Ao telefone, Mas que voz é essa? O que fizeste à Chata?), se vens hoje, amanhã faltas outra vez. Diz-me, contigo também te doía gengivas, dentes e bochechas? Estou toda minadinha e é vingança tua.

Modos que estou em casa, no sofá, vestida, cachecol enroladíssimo no pescoço. Não abro a boca para falar ou comer desde o acima descrito. Estou com uma fome capaz de comer um touro. Vejo ofertas de vales de desconto de sushi no mail e começo a salivar. E de cada vez que engulo penso 'Sa foda o sushi. A menos que seja todo passadinho.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Já chega, sim?

Pois que ontem me passou pelo estreito, ao longo de todo o dia, torradas, chá, donuts (uma pequena precisa de consolo!) e uma sopa. E upa upa. Não consigo engolir. Parecem lâminas a arranhar-me a garganta.

Infelizmente para mim, não tenho bagaço ou whisky em casa. Infelizmente para mim. Que fazia as mezinhas caseiras com o raio do mel e ficava fina. Já dizia a minha professora de TLQ que o álcool mata tudo. Além de que me dava uma bezana tal que caía na cama e não acordava com o não conseguir engolir.

Eu ando a anti-inflamatórios. Não quero ir ver outra vez se tenho ou não pontos brancos. Houve duas farmacêuticas a oferecerem-se para me trazerem drogas duras a casa. Não quis. Ainda não quero. 

Tentei a cena da transpiração. 
É, o jogo entra no intervalo, uma pessoa aproveita e começa nos melos, ali mesmo no sofá, manta por cima a fornecer o calor necessário para os corpos não sentirem o frio. As pessoas entusiasmam-se, quase que era golo, Mau mas estás a dar atenção a quê?, pá, sou multi-funções, faço bem qualquer delas; a coisa estava tão boa, sua-se, tapa-se e destapa-se, despe-se tudo; o pior era a garganta que sou uma pessoa de gemidos e arfares mas o facto é que ali nem dei por nada; e é gooooooooooooooooooooooooooooooolo do CR7, Mas estás a dar atenção a quê?, e eu só me justifico que não posso fingir que não ouvi; e ali estavam dois corpos nus, quentes, pele em contacto com pele, em movimentos uníssonos, para tratarem do corpo de uma ou do corpo e alma de dois, 3-1, perdão, 3-2. Uma merda, que gritei que nem uma louca!

Preciso de mais. Ainda estou de molho. Ainda estou no sofá. Ainda me custa beber água com sabor a limão e granulado medicamentoso. Ainda me custa beber chá. Sólidos? Hmm hmm. 

Cá se fazem, cá se pagam. Deixem lá isso. Nem me tenho nas perninhas para ver quanto peso perco com esta brincadeira. Há sempre um lado bom.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Lei do retorno - update

Todos os meus colegas de trabalho me desejaram as melhoras mas o único que realmente me telefonou foi o V..

"Ficas tão melhor aí ao longe sem me chatear, assim com essa voz sexy. Queres que te vá dar uma pica no rabo?"


Para que saibam, ou estou a delirar ou tenho pontos brancos nas amígdalas. O que me vale é que parece que me prometeram transpiração logo mais para ver se me vejo livre de tanta toxina...

Lei do retorno

Aqui há atrasado, fui coagida/obrigada a fazer a administração injectável de um antibiótico na nalguinha da chefa. Deixei-a coxa e sem posição para sentar por uma semana. 
Algures durante a semana passada, ouvi aquela tosse dela a que chamo de cão e, acomunada com a mais recente colega de trabalho e com o mais que famoso colega V., ofereço-me para nova administração, não fosse a coisa piorar.

Ora, a quem calha uma bruta dor de garganta? A moi. Desde Domingo. Mas apuradíssima hoje. Admito que possa ser porque ainda não tirei os costados da cama, não comi e não tomei o anti-inflamatório. Não sei há quanto tempo não falto por uma destas. Já me baldei duas vezes desde que sou uma pequena trabalhadeira porque, depois de uma noite a vomitar, não me aguentava nas pernas mas só. Já trabalhei com 40º de febre e o chefão (ex-, actualmente) tinha palas nos olhos e uma adoração somente por si. Hoje faltei. Estou de molho. Claro que já me ofereceram drogas duras, aka, penicilina no rabo. Dispenso. 
Eu, a cama, o sofá, mantas e bebidas bem quentes.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

É olho gordo

No trabalho, apercebem-se do meu estado condicionado. 

Um diz que pareço amarela, que preciso de uma injecção de penicilina, que tenho os olhos no chão. Outra diz que é uma virose que dura 15 dias. A melhor? A chefa. "Mas dói-te o corpo? Ui. E tens febre? Ui. Sabes, isso é do transpira, pára, volta a transpirar, pára, tapa, destapa". 

Inveja.

E o vosso conceito de amizade?

Primeira frase de uma SMS recebida ontem à noite:

"Tanta chapada em tão poucas msg... Mas... Tens toda a razão... "


Amizade é amizade. Para o bem e para o mal. Posso ser ausente quando está tudo bem mas se há alguém com problemas, faço questão de estar presente, marcar cafés, chatear com mensagens. Mostrar que estou lá. Mas não me peçam paninhos quentes. Não me peçam palmadinhas nas costas ou um ombro sem quererem ouvir o que tenho para dizer. Aprendi-o à minha conta. Porque foi só quando me disseram as coisas com todas as letras e sem papas na língua que abri os olhos. Não esperem de mim que diga que vai tudo correr bem, que vive o que tens a viver e logo se vê. É sempre mais fácil recair que dizer que não.

Eu aprendi a dizer que não. E orgulho-me disso para caramba. E hei-de estar ao lado dos meus amigos para lhes dar umas chapadas de mão cheia, para me dizerem que sou fria mas que precisam de o ouvir.


Chamam-me de sensata. Já fui muito insensata. A todos os níveis. Um dia, abri os olhos. Quero fazer o mesmo pelos outros.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Agora, no tasco, fazem-se tatuagens. À borla. Rápido rápido.

Sou a modela.
A minha chefa leva ou não leva jeito?
Atenção, não é definitiva. 
Álcool ou acetona e faz-se outra mai linda.
(Maus tratos no local de trabalho...)

Não, não é um fio. Tenho melhor gosto.
Se me virem na rua, digam Hi, Chata!
E sim, Girafa era a minha alcunha.