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terça-feira, 31 de março de 2015

Eu, a orientadora

Sou má. De acordo com o homem, sou má. Tenho sempre coisas várias a apontar às pequenas que me passam pela mão no local de trabalho. Mentira, que a minha tripeira de cabelo até ao rabo era e ainda é aplaudida e pessoa saudosa. A que se seguiu gostava muito de estar sentada a brincar com o telemóvel. Vi melhoras ao fim de muito tempo. Actualmente, a de cabelo até ao rabo e que arrasta os pés, que já ficou marcada por alguns utentes e por um colega de trabalho, gosta de deixar as pessoas à espera enquanto se passeia pela página da Mango a ver os modelitos que pode passear por Lisboa enquanto não volta para a ilha.


Eu não sou má. Quando me importava, era muito exigente, dirigi estágios de que me orgulho e fui apontada como "a que lhes ensinou tudo o que sabem". Agora, que não posso querer saber menos porque eles querem saber ainda menos, só espero o mínimo.


Se eu desse a nota? Oh amigos, enterravam a cabeça de vergonha.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Não há 5 sem 6

Hoje fui ao dentista. 


Tirei o sabor a iodo, venho com uma seringa para lavar o buraco, com sugestão de pomada corticóide e um "vamos lá ver".

Nisto tudo o que me vale é só ter pago uma de seis.

terça-feira, 3 de março de 2015

O tratamento

Aspiraram o alvéolo pelo mini buraco ainda não cicatrizado, injectaram-me clorohexidina líquida, gelada, no buraco, voltaram a aspirar, repetiram o processo para garantir eficácia. Para finalizar, introduziram uma malha cicatrizante alvéolo dentro.

Metade da malha que ficou de fora já foi, aquilo era como ter um novelo de pêlos a passear pelos dentes e ainda por cima a saber a betadine.

Agora continuo com metade da boca a saber a peixe rico em iodo com a malha ainda encafifada na minha gengive.

Pelo menos ainda preservo o meu estômago sem comprimidos.

segunda-feira, 2 de março de 2015

O que tem que ser tem muita força

Últimos 15 dias, mais dia menos dia. 5 idas à cadeira do dentista. Primeira para me mandarem de volta com rabinho entre as pernas e antibiótico no bucho. Segunda, para lá ficar 1h30 na cadeira para me darem conta do siso que me fez otite. Terceira para me removerem os pontos. Quarta porque tinha dores. Quinta, hoje, porque as dores continuam, chegam ao ouvido, não passam com antiinflamatórios e analgésicos. O meu auto-diagnóstico, e parece que acertado, foi feito algures na semana passada, quando me pus a ler artigos de dentária. Alveolite seca. Epidemiologia? Gaja, caucasiana, contraceptivos orais, trauma na remoção do siso. 

O que tem que ser tem muita força.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Noves fora nada, mais vale a técnica da chave no fogão

Estava agarrada ao espaço que ficou do dente depois da retirada dos pontos. Estava com pontadas dilacerantes depois da instilação da cloro-hexidina para me desinfectarem o buraco. Perguntaram-me se estava a chorar. Falei do dente. Diz que já viram dores de subir pelas paredes por causa de um siso, ao ponto de o próprio o querer arrancar com uma chave levada ao lume para esterilizar.

Faço contas à vida. Uma caixa de ibuprofeno, um colutório, um frasco de gotas para o ouvido porque fiz otite, um antibiótico, mais uma caixa de antiinflamatório, outra de cortisona, um gel pós-operatório, a consulta de extracção, o número de vezes que abri o congelador para tirar o gelo, dois dias de trabalho, o feitio da merda, a consulta que terei que marcar para gastro porque ando a drogas há 3 semanas e só metade da boca mastiga os alimentos que engulo em pedaços gigantes, o número de vezes que não peguei em vinho, a consulta para limpeza dos dentes que a cloro-hexidina do gel e do colutório deixou-me manchas como se fosse fumadora compulsiva, a pílula que estou a tomar e que, bem, logo me passaram o antibiótico que mais interage com ela,...


Se me tivessem dito a da chave mai cedo!!

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Os 30 ou o destino ou que raio de nome/título dar a isto

Começou com uma pontada na lombar. No primeiro dia dos 30. Durante o jantar lambazão de sushi. Passou para uma faixa na lombar toda. Apanhou-me a cervical. Tive massagens, qual velha, com anti-inflamatórios. Passou na quinta, talvez para poder gozar a dança e dizer que ainda tenho pedalada para me deitar às 6h da manhã. Sábado, melhor que estava, achei por bem recuperar o tempo perdido. Não fui ao ginásio durante uma semana. Vamos lá fazer uma aula de Core para perder mais uns cm. E ali estava eu, peso de 5kg, elástico mais forte, ora de quatro, ora de pé com um joelho a chegar-me ao peito quando... Crack! Ao longo do sábado vi-me e desejei-me. Lágrimas nos olhos por não arranjar posição que me aliviasse. Escusado será dizer que tenho a lombar aos ais. E que no fim do dia terei também a cervical. E que ando a massagens e a comprimidos de cenas que me agridem o estômago.

A juntar à festa, levanto-me no domingo com dificuldades em engolir. Com a toma do ibuprofeno logo pela manhã para as costas, a coisa aliviou. Depois de um almoço de sushi regado a água, hora da sesta. Acordei muito jeitosa. Ora, nariz entupido, gosma verde, dor de garganta. As dores no corpo não sei do que eram. Do ginásio? Da constipação? Dos dois? À noite vi-me grega para me mexer. Durante a noite de hoje, foi só acordar para tentar engolir.

Eu tenho memória de elefante. Em novembro/dezembro comecei assim. Rezo para que não volte a parte de ter as gengivas inflamadas e a sangrar a cada tentativa de alimentação e que não tenha que dar o nalguedo à seringa. 

O Menino é ou não um doce para mim? 
Depois das costas, dieta forçada. 
A melhor forma de perder peso é ou não é uma amigdalite do demo?

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Crise na área

Formação.
Indústria farmacêutica.
Hotel 4 estrelas.
Piso -3.
Nem um copinho de água para 2h30 de iluminação teórica.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

"Depois continuamos esta conversa"

Há pessoas com quem não temos empatia, há pessoas com quem apenas falamos por obrigação, principalmente depois de uma troca mais acesa de palavras, de um confronto mais ou menos marcado. Com aquela senhora era assim. Trocávamos bons dias e boas tardes, perguntava-me pelo colega de trabalho, eu respondia em quanto tempo estava ele disponível e, caso não fosse estar em tempo útil, fornecia-lhe o estritamente necessário e depois deixava-os resolver os dois. 

Agora que ele já não está, cheira-me que resolveu adoptar-me. Esperou por mim, esperou que estivesse disponível e explicou-me ao que vinha. É aquele tipo de pessoa que fala pelos cotovelos, que fala por ela e pelos outros, que permite um monólogo pontualmente interrompido por outrem. Divagou sobre medicamentos. Passou para os genéricos. Para um casal com quem já trabalhou e um produto para queda de cabelo. Para o casal com quem trabalha e para uma associação de pneumologia. Para o gosto de ler livros nos tempos mortos nas livrarias perto do trabalho. Pela entrevista que viu na RTP2 sobre uma escritora que falava sobre a cremação, que estava em desacordo. Que tinha medo do fogo. "A terra dá ar, a terra dá fogo, a terra dá luz, a terra dá oxigénio, a terra dá alimento..." Chegadas a esta parte da conversa, pensei em mandar a mensagem interna a uma colega a pedir ajuda para me safar da companhia. Mas às tantas, aquilo passou a agradar-me. Continuámos na cremação, na purificação pelo fogo, na igreja católica, no Vaticano, na Cúria, no último concílio, na maldade. "Dona X, não ponho as minhas mãos no fogo por ninguém, por ninguém. Nunca conhecemos realmente as pessoas. Para o bem e para o mal mas principalmente para o mal." Naquilo, continuamos na igreja, na máfia, nos sacanas do Vaticano e nas nossas trocas afincadas e afinadas de ideias. Pois que quando se aproximou um tipo com intenções de ser atendido por mim, tive pena. E ela lá me disse, Vou ver se arranjo a receita depressa para fecharmos o nosso negócio e continuarmos esta nossa conversa.


E eu gostei. A sério que sim. Estarei a ficar mole?

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

É agora que vou ser mãe

Apareceu-me na mão, caída do céu, uma caixa de genérico de uma pílula que fica baratinha, baratinha com receita, que tem menos estrogénios do que a minha e que tem embalagens triplas...


Vamos à experiência?

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Mais do mesmo.

- Boa tarde. Queria aviar esta receita.
(Passa-ma para as mãos. Tem azar, calhou comigo. Tenho um jeito particular para pormenores, para diferenças, sou perspicaz nesta coisa de encontrar o Wally. Data de Novembro com validade de 30 dias. Pior. Tenho muito muito boa memória. Xanax.)
- Esta receita está fora de prazo. Não lhe posso fazer a comparticipação.
- Ai não faz mal, preciso do medicamento.
- Ok, mas a receita fica cá.
- Por quê?
- Porque preciso ter uma receita para lhe dispensar o medicamento.
- Fique com a cópia.
- A cópia posso dar-lha a si mas preciso do original.
- Mas por que é que a cópia não lhe chega?
- Porque preciso de uma original, porque a semana passada já esteve aqui, comigo, nesta mesma situação e uma caixa de Xanax tem 60 comprimidos. As receitas não são reutilizáveis e essa receita não significa que "tome" Xanax ad eternum mas que há 4 meses o seu médico lhe passou uma caixa.
- Mas eu tomo. E o meu médico está de férias e ele disse que, com esta receita, posso pedir o medicamento nas farmácias que chega perfeitamente.

Estivemos 5 minutos nisto. Não gosto que me façam passar por parva. Detesto.





- Boa tarde. Queria uma embalagem de Cialis.
(Ide procurar. A Lilly até faz uns anúncios fofinhos na tv.)
- Está habituado a tomar? Foi o médico que lhe receitou?
- Sim foi, costumo tomar.
- Então qual é a dosagem que toma?
(Aqui é que a porca torce o rabo.)
- Quais são as que tem?
- Qual é a que toma?
- Não me lembro. Que dosagens existem?
- Que dosagem lhe passou o médico?
- Acho que foi a mais baixa...
- E que dose é essa?
- Er... Er... 4...?
- Cialis não existe nessa dosagem. Talvez seja melhor trazer essa receita que o médico lhe passou.

São medicamentos, não são Tic Tac de açúcar.




- Boa tarde. Queria uma caixa de Furadantina.
- Está a pedir-me um antibiótico, tem receita médica?
- Não.
- É para quê?
- É para uma infecção urinária.
- E quem lho recomendou?
- O médico, por telefone.
- E ele vai passar a receita?
- Sim.
- Disse-lhe como se toma?
- 2 vezes por dia...?
(Oh raios ta partam.)
- Posso falar com o seu médico?
- Er... Er... Er... Não sei o número. Deixe estar.
- Eu procuro na internet, diga-me o nome.
- Deixe estar, não quero incomodar o médico.


Não costumo pedir para falar com os médicos. Devo ter falado com eles, nesta situação do "antibiótico que depois traz a receita" nem meia dúzia de vezes. (E os dentistas, ai os dentistas.) Mas quando as pessoas mentem com todos os dentinhos que têm e nem sequer têm a história bem sabida para não dar cana, não gosto de passar por parva.



São histórias. Dúzias de histórias para contar.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Odeio pessoas e odeio ainda mais pessoas arrogantes

- Boa tarde. Queria isto.
(Jovem aí de 25 anos, ar bem apessoado, que me apresenta uma parte de uma caixa de um hipnótico para indução de sono)
- Tem receita médica?
- Não.
- Só é vendido mediante apresentação de receita médica.
- Não, não.
(Era conseguirem ouvir o tom dela...)

0_o

- Preciso do medicamento, o médico disse que preciso de o tomar.
- Preciso da receita.
- Não, não.

0_o

- O meu médico está nas Caldas, eu não posso lá ir agora e disse que se eu precisasse era só pedir numa farmácia.

0_o
(Vontade de lhe dizer não, não no mesmo tom)


- Olhe, eu preciso do medicamento.
- E eu da receita.
- Não, não. Já comprei sem receita!


Posso ter ar de miúda (que não tenho), posso ter um piercing visível, posso ter um anel no polegar e até podia usar biqueiras de aço em vez das crocs que o meu cartão de identificação continua a dizer farmacêutica e eu continuo a ter um código a que obedecer. E em psicotrópicos e antibióticos, meus amigos, escolheram a tipa errada.


Era eu poder vê-la a encher um pé todo de merda.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Still shaking!!!!

A míseros minutos de sair para almoçar, entrou um casal no tasco. Quedei-me a olhar para os pequenos por causa da roupa que a jovem envergava. É a mesma que, um dia, me apareceu com unhas de gel enormes com a bandeira dos EUA. Desta feita, fiquei de boca aberta com os mini calções de ganga e o collant a imitar meias com liga. A mulher surpreende-me sempre e nunca pela positiva. Pois que, dada a indumentária, fixei-me neles. Call me bitch. Além do mais, vejo-os a mexer nos suplementos alimentares para estimular a libido. Mais, vejo-o a abrir embalagens. Ora, call me bitch mas embalagens vazias crescem nos expositores da farmácia. Perceba-se!!! Os meus olhos não largam. Encosto-me a umas gavetas, ar suave e doce de quem espera que entre alguém mas de olhos fixos. Azar o dele, tem a jovem à frente do rosto dele, não me consegue ver. Consigo ouvi-lo dizer Vou levar uma amostra e vê-lo a desblisterar uma cápsula e a pô-la no bolso. Foram segundos. A jovem que estava com ele apercebeu-se, inquietou-se, encolheu-se e procurou à sua volta alguém a olhar. Encontrou os meus olhos, a minha cara cerrada e os braços cruzados. Aí o jovem viu-me. Encolheu-se, corou, deve ter pedido aos santos que eu fosse cega. Continuou a sua vida. Vieram para o balcão ter comigo. Perguntaram pelo colega. Os anjos estavam comigo porque o homem estava lá para dentro. Tive tempo de sobra para ir confirmar o que os meus preciosos quatro-olhos viram. Acertei logo à primeira caixa. Dirigi-me a eles.
- Suponho que esta embalagem seja para levar.
- Desculpe?
- Se retirou uma cápsula, suponho que seja para pagar a embalagem?
- Eu? Não. Já estava aberta.
- Sim? A farmácia tem câmaras.
- Já estava aberta.
- E a cápsula que guardou? Posso ver o seu bolso?
- Pode.
Amigos, há gente com descaramento suficiente. Pois que pôs a mão ao bolso, atirou a cápsula ao chão. Viu-se e ouviu-se.
- Não tenho nada no bolso.
- E a cápsula que atirou ao chão?
Lá fui dar a volta ao balcão e ver a cápsula azul junto dos pés dele.
- Ah não fui eu, não sei de nada.
- A farmácia tem câmaras.
- Já estava assim.
- É preciso chamar a polícia?

(Silêncio)

- Eu pago.
- São X.
A pobre da mulher que estava com ele é que ainda teve de pagar.
- E agora se quiser, pode ir buscar o folheto onde explica como deve tomar ali ao pé do expositor onde esteve.


Sinto-me uma heroína. A colega mais velha estava branca a olhar para mim. Mais ninguém na farmácia. 3 colegas a ouvirem o chorrilho de mentiras e o descaramento. A minha assertividade e prontidão nas respostas.

Hoje ao sair, devo ter uma espera à porta. Se não aparecer mais por aqui ou se nem um ecard no facebook, é porque me encontro num hospital a recuperar das facadas. Se sobreviver.


Ainda estou a tremer.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Viagra

Ora bem. A saber.

O viagra não aumenta o desejo, a libido. Causa uma erecção mediante um estímulo físico. Desejo, vontade de pinar, tesão sexual. Psicológico. Leva a um determinado estado físico. Bandeira hasteada, pau feito.

Viagra feminino que aumenta o desejo?! Estes jornalistas irritam-me com estas reportagens farsolas!

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Mark my words.

E eu tusso. E volto a tossir. E o homem que está à minha frente e com quem, por força das circunstâncias, sou obrigada a trocar dois dedos de conversa, diz-me Tabaco?. Cá tabaco, amigo, que a última vez que fumei foi depois de um belo repasto, numa varanda, e foi um mini cigarrinho enrolado por um pseudo-actor vai para semanas.

 - Constipação? Sabe o que é bom para constipações, para matar os vírus todos? Vitamina C. Mas não é cá laranja e limão, é pastilhas de vitamina C. Quando me dá uma pontada nas costas, sei que vou ficar constipado e tomo logo uma. Vitamina C. É remédio santo. E sabe quem me receitou isto? Uma farmacêutica (risada interior). Cecrisina C. Olhe que a farmacêutica sabia o que dizia. Experimente!!



Há pessoas crédulas...

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Sôtor, preciso da sua ajuda, faxabor


Hoje tenho uma consulta médica. Depois dos dois antibióticos, contava estar fina. Não estou. O coleguinha chama-me tuberculosa, o gajo ri-se quando, em momentos íntimos (leia-se pinada valente, com tudo o que possa implicar), desato a tossir os pulmões e ainda diz "tosse lá outra vez que isto é giro, aperta" ou quando, cessada a pinada valente, e no que deveria ser um momento zen, tenho que me sentar na cama para tossir melhor. 

É uma tosse seca seca seca, das que vem cá de dentro, das que não tarda me esfodinha a garganta again, das que te faz parecer que estás é engasgada tal a violência com que o diafragma se contrai e expande. 

Sei que contava que ontem me tivessem arranjado um licor rico em álcool para ir bebendo para ver se matava o bicho. Sei que tenho antitússicos a rodos à minha volta. Sei que assusto com a tosse. Sei que posso deitar os pulmões para cima de qualquer pessoa que queira afugentar sem parecer mal. Mas já que vou ser obrigada a despir, que vou ser auscultada no peito e costas e que vou ser apalpada com mãos frias por um homem que não me aquece ou arrefece, ao menos que saia de lá em bom. Ou a caminhar para isso...

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Aquele momento em que vais a deambular na rua na tua

A tentar não pensar que estás em jejum, que tens um penso no braço e que tiveste que fazer o pipi para o copo duas vezes porque o primeiro verteu, a pensar naquilo que te dizem, de noite às escuras, e que te fazem rir e sorrir enquanto estás aninhada pele com pele noutro corpo, a pensar no Natal e nas prendas que não comprei e que não me apetece perder tempo a comprar, a pensar no jantar de Natal do tasco e no fim‑de‑semana que se aproxima. Isto enquanto te diriges para o café de sempre, ainda que falte uma hora para te pores a trabuquir, para comeres aquele fantástico pão de sementes com queijo.

Estou à espera para atravessar a rua quando vejo a sobrinha da dona A. do lado oposto. O sinal está verde para os peões mas não me movo e espero que a senhora chegue até mim. Dou-lhe os meus sentimentos, falamos sobre a tia. Conheci a dona A. há três anos atrás. Vinha medir a tensão arterial diariamente. Por hábito, diria. Completamente descompensada. Não ligava nenhuma. Um dia cheguei ao trabalho e levei com a notícia do AVC. Não falava, não mexia, acamada. Fez fisioterapia, fez terapia de fala. Percebia-nos, falava por gestos acompanhados de gemidos. Continuava a ir medir a tensão pelo próprio pé. Agora acompanhada pela filha ou sobrinha. A diabetes estava controladíssima pela filha sempre presente e em cima do acontecimento. Tínhamos insulina só para ela. A hipertensão idem, controlada por um conjunto de medicamentos dados sempre à hora certa. Notícia de um tumor. No fígado. Zona abdominal sempre inchada. Úlcera causada por anti-inflamatórios, fezes com sangue, internamentos sucessivos.

Desta vez, estava na casa da família no norte. Veio directamente para o hospital em Lisboa. "Rebentaram-lhe os órgãos". Inchada, ainda depois de aspirado o líquido da zona abdominal, a escorrer sangue pela boca, um babete a amparar os fluidos, os lábios inchados e negros, de olhos fechados. Esta é a ultima imagem que a família tem dela. Essa e a do caixão a entrar no forno crematório. Por qualquer estranha razão, faz-me lembrar o meu avô. Não sei lidar com visitas ao hospital, com despedidas, com a decadência física e a dependência dos outros. Dói-me. Como desde pequena, quando ia passear à Baixa com a mãe e via os mendigos a pedir na rua, ao frio. Dizia sempre à mãe para dar moedas enquanto tinha os olhos cheios de lágrimas e acabava o passeio triste e com o coração pequenino.

Acredito que a dona A. está melhor agora e que a sua família, a seu tempo, perceberá que aquela era a sua hora, talvez já há muito adiada. Eu continuarei a recordá-la como a senhora bem disposta que cantava, ria e distribuía beijinhos ao chegar e ao sair.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Não temam, ainda estou viva

À medida que o efeito do analgésico anti-inflamatório passa, cada vez menos. Mas estou viva.

A minha equipa de trabalho não contava comigo. Achava que devia ter ficado em casa. Quando cheguei, vi caixas e caixas e caixas à minha espera. Tão bom. Sem ironia. Enquanto andei à volta daquilo tudo, não pensei nestas gengivas que me doem como se tivesse queimado a boca toda com sopa a ferver. Assim que acabei, não resisti ao copinho de água a saber a menta que me permitiu acabar de comer... Uma sopa.

Atendi umas 3 pessoas ao balcão. É giro perguntar quem está a seguir, mal me ouvir e ver as pessoas a tentarem ler-me os lábios.

Ao telefone, uma colega diz que não me consegue ouvir. Ao telefone, uma utente pergunta se estou doente. Ao telefone, chamo um colega com estalinhos de dedos porque não consigo falar com ele. Ao telefone, uma amiga diz Que voz tão infectada. Ao telefone, a chefa espanta-se com a ausência de grandes melhoras.

O colega mostra-me uma seringa de 50cc e volta a falar-me da penicilina no rabo. A colega mais velha aconselha-me a aumentar o tempo de tratamento com o antibiótico. A colega mais nova ri-se de mim porque acha giro o meu atendimento ao balcão.

Espera, apeteceu-me comer mais qualquer coisa além da sopa. Falei com o sócio da pastelaria que me costuma oferecer o café. Tem sobremesas que sejam molinhas? Ele ri-se e esbugalha os olhos. Não sei se é da voz ou da pergunta.

Antes de sair do tasco, tiro a bata e ponho o casaco. Oiço Já não tens cu para encher as calças! Foda-se. As calças que me caíam melhor. A seguir peso-me. Tenho a certeza que o que escreverei a seguir será qualquer coisa como Uma amigdalite fodida por mês não sabes o bem que te fazia.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Já chega, sim?

Pois que ontem me passou pelo estreito, ao longo de todo o dia, torradas, chá, donuts (uma pequena precisa de consolo!) e uma sopa. E upa upa. Não consigo engolir. Parecem lâminas a arranhar-me a garganta.

Infelizmente para mim, não tenho bagaço ou whisky em casa. Infelizmente para mim. Que fazia as mezinhas caseiras com o raio do mel e ficava fina. Já dizia a minha professora de TLQ que o álcool mata tudo. Além de que me dava uma bezana tal que caía na cama e não acordava com o não conseguir engolir.

Eu ando a anti-inflamatórios. Não quero ir ver outra vez se tenho ou não pontos brancos. Houve duas farmacêuticas a oferecerem-se para me trazerem drogas duras a casa. Não quis. Ainda não quero. 

Tentei a cena da transpiração. 
É, o jogo entra no intervalo, uma pessoa aproveita e começa nos melos, ali mesmo no sofá, manta por cima a fornecer o calor necessário para os corpos não sentirem o frio. As pessoas entusiasmam-se, quase que era golo, Mau mas estás a dar atenção a quê?, pá, sou multi-funções, faço bem qualquer delas; a coisa estava tão boa, sua-se, tapa-se e destapa-se, despe-se tudo; o pior era a garganta que sou uma pessoa de gemidos e arfares mas o facto é que ali nem dei por nada; e é gooooooooooooooooooooooooooooooolo do CR7, Mas estás a dar atenção a quê?, e eu só me justifico que não posso fingir que não ouvi; e ali estavam dois corpos nus, quentes, pele em contacto com pele, em movimentos uníssonos, para tratarem do corpo de uma ou do corpo e alma de dois, 3-1, perdão, 3-2. Uma merda, que gritei que nem uma louca!

Preciso de mais. Ainda estou de molho. Ainda estou no sofá. Ainda me custa beber água com sabor a limão e granulado medicamentoso. Ainda me custa beber chá. Sólidos? Hmm hmm. 

Cá se fazem, cá se pagam. Deixem lá isso. Nem me tenho nas perninhas para ver quanto peso perco com esta brincadeira. Há sempre um lado bom.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Lei do retorno - update

Todos os meus colegas de trabalho me desejaram as melhoras mas o único que realmente me telefonou foi o V..

"Ficas tão melhor aí ao longe sem me chatear, assim com essa voz sexy. Queres que te vá dar uma pica no rabo?"


Para que saibam, ou estou a delirar ou tenho pontos brancos nas amígdalas. O que me vale é que parece que me prometeram transpiração logo mais para ver se me vejo livre de tanta toxina...