Finalmente vi.
Vi o filme de BDSM do momento.
Não.
Vi o thriller erótico do momento.
Não.
Vi a comédia romântica do momento.
Fifty Shades of Grey.
Mais uma vez digo que não li os livros. Tive os três na mão e não li mais que algumas linhas do primeiro volume. Daí que avalie o filme pelo filme e não por ser ou não fiel ao livro. Como filme, um desastre de Domingo à tarde com nus e "sexo". Como filme adaptado de um livro de cariz sexual, uma canção de embalar.
Comecemos pelos actores.
Não sei. Não sei mesmo. Não sei se ele é mesmo canastrão ou se faz parte do papel de príncipe negro de coração dorido armado em dominador. Tem aquele sobrolho sempre carregado e pouca afectividade. É o que se quer. Ela. Sem grande carisma. Para o papel basta-lhe o corpo. Ar deslavado. Pouca tensão sexual, pouca intensidade. Muitos beijinhos. Muitos mais do que imaginava. Muito exagero na hora de mostrar o quão bom é aquele homem a dar-lhe prazer.
A história. Um clichê. Um filme de clichês. Uma universitária inocente e virgem, ar de Lolita com idade para ter juízo, usa jardineiras e vai para a noite de t-shirt. Vai entrevistar um multimilionário pouco mais velho do que ela com um casaquinho de malha e uma camisa às flores. O patinho feio que se transforma no cisne esbelto? Arrancou-me as primeiras gargalhadas de wtf logo ao início. Cai ao entrar no gabinete do mauzão e ele vai logo dar-lhe uma ajudinha. Olhar número um. Esboço o primeiro sorriso. Faz aquele ar de Britney Spears no Baby One More Time quando encosta o lápis à boca. O sorriso passa a uma gargalhada. O que é aquilo? Depois passa a vida a morder o lábio? O que é aquilo? A sério, o que é aquilo? Se há química? Sei lá. Há exagero. E clichês. Ai deixa-me apanhar a chuvinha para me tirar os calores.


Tirando o "sexo" (adiante voltarei aqui), é um clássico Disney. A bem dizer é a Bela e o Monstro. Um romance de cordel."Ah não te apaixones por mim, Ah sou um fifty shades of fucked up person, Ah és virgem? Resolvo-te isso em nem 2 minutos de filme (que espero e desejo que tenham sido pelo menos mais que duas páginas de livro), Ah vais à mamã, vou aparecer por lá e ninguém vai achar que sou um stalker pervertido só porque tenho dinheiro e voamos de heli e ultraleve, Ah vou levar-te para o quarto vermelho do prazer, vou fechar a porta e tu jamais pensarás que não vais sair daqui viva mediante tanto objeto sexual do demo, Ah não durmo com ninguém mas contigo é logo na primeira noite porque... Onde é que tu andaste? À tua espera."
Um filme que retrata o mundo Sado-Maso? Bem, quando isto saiu todo o mundo falava n'A história de O. Vi logo que pude. Mais do que umas chicotadas e umas palmadinhas no nalgueiro. E é um filme da década de 70. Cenas SM? Perversão? Sexualidade crua? Sem medos? Faltam-lhe quilómetros de realismo.
Quem leu os livros diz que tem descrições sexuais muito explícitas, de fazer corar os mais cândidos. O filme foi suave. Demasiado, diria. Percebo quem quis ler, percebo quem foi ver o filme, percebo o histerismo. Comparando. Vi os filmes da vampirada. Filme de Domingo à tarde, passa-se o tempo. Fica-se com um pequeno ódio de estimação à Bella, oh Bella, coisa mais mal enjorcada. Li os livros. Percebi a histeria. Um autêntico chamamento às sonhadoras de amor. Fórmula imbatível. Mas fácil. Dada. Uma gaja difícil que cede à pressão do homem forte que lhe oferece mimos, por quem se apaixona mas de quem se prefere afastar para no fim casarem e terem filhos.
Uau.
A mim deu-me para rir.












