7 ma-ra-vi-lho-sos dias de praia. Decidi que não volto a tirar férias em Agosto para me sentir sardinha em lata. Junho ou Setembro. Sendo que em Setembro há maior probabilidade de calorzinho.
Primeiro dia de praia, sombrinha (coisas algarvias) esquecida em casa, calor digno de um inferno, Chata consegue ter logo o seu escaldão. Fui gozada. Passo a explicar por quê:
Atentem bem nas zonas a vermelho. Escusado será dizer que são as zonas massacradas pelo sol. Para quem tem dúvidas, aquilo lá em em cima, na zona da cabeça, são as orelhas e a zona do risco ao lado no cabelo. As costas ficaram meias manchadas, foi onde o protector não chegou, o ass estava que nem me podia sentar. Ganhei um sentar novo. Três ou quatro dias volvidos, era ver Chata a pelar. Tenho as orelhas e o couro cabeludo em escamas, passo a vida a coçar o rabo. Nem sei ser discreta, é ver-me com uns calções ou vestido e ver que tenho sempre ali as mãos, qual tarada pelo seu próprio corpo.
Sombrinha não mais foi esquecida. Banhos com fartura, esparramanço na toalha algum, que as marcas do escaldão tinham que sumir. Muitas folgas dormi, tendo sempre acordado com o mesmo:
- Bóóóóóóólinhas! Bóóóóólinhas! Olha as bóóóóólinhas! Quentinhas acabadas de chegar da fábrica! É com creme e sem creme! É com chocolate! Pastéis de amêndoas e jesuítas! (tanta vez me apeteceu estender o pé para ver se caíam e se calavam!)
- Uãã, uããã, uããã (hora da mama)
- Maria Inês, olha a senhora, vais encher a senhora de areia!
- Oh Marco, vem já comer!
- Oh Bia, não enchas a Catarina de areia!
- Oh miúdo, tu vem já comer. Mas tenho medo, está aí uma abelha. Oh estúpido, és mesmo estúpido. Maricas duma figa. Não vês que a abelha já não está aqui? Mas tenho medo. Pega na porcaria da sandes, agora! Mariquice idiota. Pega já na sandes! Opá não consigo, ela não está aí? Tu não te vás embora, maricas, pega na porcaria da sandes. Não vês que já as matei? Já? Não, maricas, estão a ir todas atrás de ti. Aii, onde, onde? Oh ignorante, não estão nada, pega na sandes, não te ponhas a espernear que assim elas picam-te. Aiiii! Maricas, pá! (verídico!)
- Olha, o cão deve ter vontade de fazer xixi.
- Ai a água está tão boa!
- Queres uma cerveja geladinha?
- O que vocês querem é um elídio. Elídios é que são bons. Sabem muito, vocês, vacalhonas! (Nota: Elídio aka dildo)
Depois, era ver as vistas. Lavei os olhinhos, pois então, vi muito tronco "bacalhau", alguns já claramente anabolizados mas problema dos moços que irão ver como é daqui a uns tempos. Já falámos das borbulhas espremidas, da depilação à virilha com pinça, do roça roça no mar, do carinho a moças desnudas na parte de cima,... Já falei do casal de actores gay que ficava sempre ao pé de mim? Ou das famílias felizes que vinham à hora do almoço (12h-14h, impossível estar ao sol) para a praia com a sombrinha, o corta-vento, o carro de bebé, a avó, a mochila com pás, baldes e formas, a mochila com as fraldas e a pasta de água para lambuzar o rabo dos pequenos e um puto de 2 anos e um de NEM SEI SE JÁ COM 2 MESES? Pequeno, arroxeado, ainda quase sem gordura corporal. Aquela coisa meia amarela que ainda nem se acha fofinha! Coisa para me dar vontade de lhes dar uns pares de chapadas na cara... Respira, Chata, respira. O grau de paciência continua zero Poderia ainda falar de ver um paralítico a trocar-se para o banho, a arrastar-se para a água para brincar com o filho pequeno mas acho que quebra completamente o tom vacarrão do post. (Era ver-me de lágrimas nos olhos e não era do sal) Portanto, prefiro falar da quantidade de mamas que tive de fazer o frete de ver porque as senhoras não queriam sair da praia com o look lactantes sem discos de amamentação e vai de sacar a parte de cima do bikini. Felizmente, consegui desviar o olhar na altura em que elas trocavam a parte de baixo. E falando em cuecas e em depilação à virilha (as memórias vêm assim em catadupa; vai ficar um post cheio de lógica), velhas de 60 anos com corpinhos de 40, fígado de esponja-ensopa-tudo, look loiro e unhas vermelhas de gel que gostam de estar sentadas de pernas abertas nas cadeiras concessionadas por baixo das palhotas, oiçam-me! PELO AMOR DA SANTA, DEPILEM A MENINA! Não é preciso ser uma brasileira e fazer desenhos, bigodes de Hitler ou cenas maradas mas eu não preciso de ver a Amazónia sempre que o bikini teima em sair um pouquinho do sítio. Fiquei solenemente enojada, abençoei as dores da depilação a laser e bebi a caipi de um trago para conseguir esquecer a visão!
No seguimento, há que dizer que gostei dos bares das praias. Coisa para uma pequena já ir meia tocada aos banhos com caipirinhas em cima. C'est la vie! Depois era engolir pirulitos e ficar ali a boiar até ficar com os dedos enrugados... E era por isso que ficava na praia até se ver a lua.
Fiz amizades com gaivotas. Vi uma ninhada de mini gaivotinhas, pareciam ratitos a andar. Tadinhas, lá andavam elas à cata de migalhas de pão duro como refeição... Ou quem sabe das putas das bóóóóóóóóóóóóóóóólinhas!
Foi, pois, com solene tristeza que regressei a Lisboa. Era moça para me habituar à vida de lorde que tive durante a semana. Passámos o tempo a falar de Euromilhões. Acho que voltei um pouquinho com a cabeça nas nuvens a pensar que era desta. Contentava-me com um segundo lugar, please! Ainda não interiorizei que o Verone está no fim, que é adeus às alças e sandalinhas. Apesar de já ter uns botins maravilhosos para estrear com um vestido mai lindo com um laçarote e tudo e tudo. Ontem de manhã, calor imenso em Tavira depois de noites a dormir destapada; ontem à noite, terrinha, vestir calças e casaco de pijama para dormir. E já a equacionar as meias!
Verone, volta! Ou não, que não páro de pensar nas tatuagens...
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| Saída da praia da Terra Estreita (a deserta, com nudistas e saudações às meninas desnudas) |