Estou de vacations!
Ontem acordei cedo. Bate-me a claridade na cara e está o sono desaparecido. Saí de fininho do quarto enquanto o meu Chato dormia a sono alto (ihihih), fui para a sala ver já não sei bem o quê na TV e pintar as unhas de rosa chique. Eis senão quando oiço:
- Chataaaaaaa! Chataaaa!!! Para aqui já! Depressa e com bons modos.
Porque nhanhanha nunca acordo contigo ao meu lado, sempre a mesma coisa, nunca estás aqui. Falamos do jovem que consegue adormecer no cinema enquanto o Skyfall dá na tela, explosões por todo o lado, a banda sonora sccchhcaaaabaaaam! e nada.
De unhas em riste, lá fui eu, ronha com eles até chegar a hora de nos fazermos à vida em direcção ao local de MAIS uma prova para, quem sabe, outro local de trabalho. E lá estava eu, ainda sem a saber o que era a prova e já a detestá-la, porque em grupo tão pequeno ia-me sair a do avião cheio e de repente vaga um lugar, apresentem bons argumentos para ficarem com esse lugar. Fuck! E aquilo deixa-me doente.
Na volta, não era nada disso. Mas uma entrevista com psicólogos. Foi lá que me diagnosticaram.
Não. Foi lá que conversei uma hora com não um, mas dois psicólogos em que um deles olhava para mim de braço apoiado na mesa e mão no queixo. Staring. Just staring. Creepy!
A parte melhor veio depois. Sair de lá, ir ter com o Chato e passear pela Baixa enquanto lhe contava o quão mal (bem?) me tinha corrido a coisa, enquanto víamos as decorações de Natal, enquanto namorávamos no meio da rua.
Aqui os dois lunáticos da leituras entraram na Bertrand, deambularam por lá, viram os livros de bolso, as novidades, as cenas pornográficas que lá andam, os livros em Inglês (já disse que ando a ler o Twilight? E em inglês?). Então e onde vamos agora? Lanchar! Casa de chá, chá, scones com manteiga e doce. Depois de estar mais de 5h por aquela zona, achámos por bem ir embora. De volta ao carro, arrumado num parque de estacionamento (já falei dos preços estupidamente parvos que são cobrados por ali? Nhanhanha e o comércio tradicional?) Já eu estava no carro, Chato ainda ia a entrar:
- A minha carteira? Onde está a minha carteira?
Há melhor maneira de terminar uma tarde de passeio?
(breath in, breath out, breath in, breath out...)
Mas não. Felizmente não acabou assim. Claro que eu já estava a ver a minha vida andar para trás. Conservatória para novo CC, IMTT para a carta, banco, Benfas para cartão de sócio, Bertrand, nada sem antes ir à polícia. Senti a fúria crescer dentro de mim.
Fomos ao Starbucks onde ele esteve a fazer tempo Ou antes, foi ele, desalvorado. Deixou-me no carro que ficou parado quase no meio da Avenida da Liberdade. Ali, ao pé da entrada do metro dos Restauradores, ao pé do Valentino's.
Depois ligámos para a Bertrand. Tão frustrante ouvir não, não encontrámos carteira nenhuma. E depois, já desesperada, a ver a vida negra, o resto da noite estragada, ligar para a casa de chá.
- Carteira de homem, castanha.
- Ah sim!
- Pode dizer-nos o nome que consta na carteira?
- Chato Desmemoriado Distraído que me dá Taquicardias!
- Yeps.
Claro que nessa altura já estávamos no meio de Lisboa, a subir uma das sete colinas, a mais inclinada provavelmente, quando a adrenalina ainda saía aos pulos dos nossos poros. Altura em que para desanuviar o ambiente disse: Hein, que ponto de embraiagem tão bom que tu tens.
Adivinhem.
Carro foi abaixo e descaiu.
Carteira em minha posse, fomos para minha casa. A continuação do dia seria cada um para seu lado. Ele para o seu futenhol semanal com os geeks de sempre e eu para casa da minha Pzinha e su hija de 10 meses.
Entre choros, papas, brinquedos, e "Oh meu deus, nem sabes, o teu ex-chefe apanhou o ninfomaníaco com a recém-casada!", preciso de tão pouco para ser feliz. A desgraça alheia dá-me a taquicardia da boa.
E o fim da noite deu-se com o Chato em casa da Pzinha, mais o gajo da Pzinha e eu. A rir, a contar histórias, à volta de uma mesa.
Para a véspera do fim do mundo, não foi tudo de mau. A que horas é mesmo?
P.S.: Leia-se que este post começou a ser escrito às 13h50 e acabou hora e meia depois, quando a bolonhesa foi ratada, com o vinho e o moscatel e o porto e as tangerinas e o chocolate e afins. Talvez parte disto, ou do número incomportável de gifs seja o álcool a falar...