sábado, 18 de março de 2017

Chefs desta vida

Tenho ali bacalhau desfiado que quero fazer amanhã no forno. Já procurei receitas, já vi com natas, com bechamel mas... Ambrósio, apetece-me algo!!!

Sugestões das boas?

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Quer fazer-me passar por louca

Ontem à noite.


Estávamos sentados no quentinho do sofá quando o cão, dono e senhor desta casa, começou aos ais e uis. O criado, senhor meu esposo, apoquentou-se com o ganido, pausou a série e disse: Vou com ele à rua. Mantive-me no sofá, o homem foi vestir o casaco mais quente e impermeável por cima do casaco que já tinha, foi buscar a toalha para limpar as patas do patrão e então... "As minhas chaves?" E começa ali uma procura atabalhoada das chaves. Vendo que não dava em nada, pus-me a ajudar. "Nos bolsos do casaco?" "Oh!" "Nos do outro casaco?" "Oh!!" Quando finalmente me chateei ali com os dois parvos à procura de duas chaves, expulsei-o para a rua e pus-me à cata. Revirei a minha mala, os cestos da entrada em cima do contador, o tapete ao pé da entrada, as botas, fui remexer no lixo(!!!!), fui remexer dentro da máquina da roupa, fui ao frigorífico, fui às gavetas da cozinha, à despensa, fui à mesa das refeições, às mesas com os portáteis, ao sofá, à cama, à gaveta das meias, das cuecas, dos brincos, remexi em todos os cachecóis, fui à nécessaire da maquilhagem, às cestas da wc, afastei o contador, fui à comida do cão, vi debaixo do sofá, vi dentro da carteira ao pé da pílula e voltei a remexer em tudo. Passei 25 minutos naquilo. Eles voltam a entrar depois da passeata: "Encontraste?" "Não!" "Só sei que entrei em casa com elas." "Eu sei, eu vi-as." "Então vê lá onde as puseste!". E então a minha boca não acompanhou o meu cérebro, que só se lembrava de, de facto, ter visto as chaves caídas no tapete ao pé da porta e de mais nada, e disse: "Mas já viste nos teus bolsos? Nos casacos?" "Oh Chata, deves achar que sou parvo!" - e aí me calei, já a achar que estava mais chalupa do que pensava, que não fazia a mais santa ideia de onde tinham ido parar aquelas chaves, que tinha a certeza de as ter visto mas não de lhes ter dado sumiço. E eu virei tudo. Voltei a ir remexer nos cachecóis, um a um, e ouço "Encontrei". "Onde estavam?" "Ali em cima da mesa de jantar". E ali a porca torceu o rabo, que quando aqui digo revirei é porque lá fui N vezes +1. "Oi?? Onde?" "Ali ao pé daqueles papéis." Caladinha, fui à casa de banho aliviar águas de nervoso e chegada à sala "Onde é que elas estavam?" "No bolso do casaco que tinha por baixo..."


E assim me fazem passar por esclerosada. É por isso que não escrevo. Criado e dono da casa deixam-me a mente brilhante num farrapo!

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Vi La La Land e eis que me encontro indecisa

Antes de mais, dizer que não esperava terminar de ver o filme em modo "segurem-me que eu desfaço-me em lágrimas e pinguça no nariz".

Depois, fiquei atazanada com a indecisão: em podendo, não sei se tinha mais vontade de afinfar a Emma ou o Ryanzinho.

P.S.: Revia. E revia e revia. E revia. E é ver primeiro o início dos Emmy para largar umas gargalhadas.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Eu e a minha questiúncula e tanta gente mais digna, com o todo o respeito (NOT)

Perguntei o nome do filho. A senhora disse. Eu devo ter posto o meu maior ar de assomo ou "cara de wtf" e disse Desculpe?!?

- Cristiano Ronaldo.

Melhor. Para não botar aqui dados de outrem recolhidos em ambiente de trabalho, é imaginar que o nome da criança é qualquer coisa como Cristiano Ronaldo Sabrosa Pinto.


É preciso ter azar. E lá diz o ditado que não se pode escolher família... E não, não era o Júnior de mãe desconhecida.

1 de novembro

Já vi um pinheiro iluminado de Natal. E andei de alças na rua.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Amor de mãe

Gordo.
Gordinho.
Gordanas.
Leitão.
Piglet.
Picnino.
Pequenino.
Pilas.
Pilão.


E o meu cão lindo já leva 7 meses e uns 10kg de vida.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Meet Lucille

Se aqui há três anos me dissessem que ia estar acordada às 2h30 para ver uma estreia de uma nova temporada de The Walking Dead, atirava-me ao chão a rir.


Posto isto, quem quem saber quem faleceu já que efectivamente estive acordada até às 3h30 para ver cada pedaço de miolo a voar sem spoilers?

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

A quem se ache devidamente creditado para me responder

Tenho mais de 1 kg de tomates a estragar e estou feita dona de casa a querer usar aquilo ou para polpa de tomate, que não uso assim tanto, ou para doce, que o homem come à colherada.

Pertantes, esquecendo isso do ser saudável e do fit, é coisa para levar quanto açúcar e quanto tempo e não queima se for feito por uma amadora que o mais próximo que fez foi uma calda de cerejas para cobrir um cheesecake?

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

As cadelas das outras

Pipoca.

Palomita.

Daisy Maria.


Sabia que tinha feito bem em escolher um cão em vez de uma cadela.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

O Estado e a receita

Fui operada há mês e meio. Doze dias seguidos de baixa por doença, oito dias de trabalho. Felizmente (chega a ser cómico escrever felizmente nos dias de hoje em que só me apetece faltar ao trabalho) só oito porque, caso contrário, teria morrido de fome. O senhor Estado mandou-me o chequezinho da baixa esta semana.

Tenho em crer que este mês e meio até pagarem uma baixa por operação é espertice. Ah, vá ver, quem sabe tem uma reacção atrasada à anestesia. Ou tem uma hemorragia fatal, penca abaixo. Ou escorrega no sangue e pufa. Ou desmaia a tirar os tampões do nariz e bate com a mona na esquina do lavatório. Ou tem uma reacção alérgica aos 2 antibióticos que tomou. Ou é atropelada a caminho da farmácia para comprar mais compressas ou mais soro. Ou morre de dores nas costas porque tem que dormir com inclinação nos primeiros dias. Ou falece asfixiada com os tampões que escorregam garganta abaixo. Ou tem uma queda de pressão durante o banho porque come pouco e tem que agachar para lavar o cabelo e quando levanta, com a zonzeira, cai na banheira. Ou simplesmente porque quina de fome, a comer gelatinas, sopas frias e gelados.

Assim que acordei da anestesia, já tinha os papéis da baixa na mão. Se fosse para eu pagar, queria ver se podia esperar mês e meio ou se me cobravam os belos dos juros.

(À conta disso, ainda vou comprar um Fonas novo.)

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Já fui, já vim e não me apetece voltar

Madrugada do primeiro dia de regresso ao trabalho depois de duas semanas de férias. Sonhos com cenas esquisitas, com baratas, acordar às 5 e tal da manhã a suar profusamente e a pensar que devia ser quase hora de levantar. Há ataques de ansiedade nocturnos??

As férias foram boas e voaram. Houve praia, sol, banhos, caracóis, sushi, mariscada. Coincidiram com a altura em que o pequenote, que já não é nada pequenote, foi liberado pela sua veterinária e começou a poder sair à rua pelas suas patinhas. Não fomos de modas. "Podes pôr o pé no chão, podes pôr o pé na água". Vídeos e vídeos do loiraço a nadar e a aproveitar os dias de sol e praia. Coisa mais linda, mais mimada e chorona. Estou apaixonadíssima. Levei oito livros para ler e li um e meio. A vida já não é o que era, agora sou mãe de um cão irrequieto.

Fui para o interior alentejano. O melhor que lá vi foram dois tipos sentados na esplanada da praia armados em garanhões. A destoar de tudo. Copázios de gin na mão, 15h, 40 graus. Um deles a palitar os dentes. Sofregamente. Com um isqueiro!! Depois vi um tipo com a sua sunga a chamar a sua caniche Pipoca, que adoraaaaava ir ao banho mas que preocupava o senhor seu dono que, à beira da água, era só Pi-po-ca, Pi-po-ca! Ainda havia o casal jovem que ficou perto de nós. Tive vontade de estrafegar o homem. Passou o tempo todo na água: Oh babe, tão bom, babe. Oh babe, a água está tão boa. Oh babe, isto faz lembrar-me o Zimbábue, babe. Ele sabia o nome dela, sequer? Depois havia o casal mais entradote. O tipo, alto, com ar de bem posto, sempre na água. Saiu quando o filho do meio começou a chorar apenas para entregá-lo à mãe. Essa, coitada, estava ali a dar de mamar à bolinha mais nova enquanto a filha mais velha se babava para o nosso cão. Ficou ali com os três filhos a pairar à sua volta, relativamente imobilizada porque a servir alimento enquanto sua excelência o senhor marido fingia que não a ouvia dizer que também queria ir à água. Depois havia o Ben, o cão de um ano, que andava solto e adorava javardar para cima de toalhas alheias enquanto os seus donos, pai e filho, sempre de cu na água, provavelmente mais encarquilhados que um cão dodot (ou é renova?), se limitavam a berrar Ben, Ben, sai daí. Não sei se me dava mais para pontapear o cão se os parvos dos donos.

Para rematar? Oh para rematar houve Harry Potter e o lançamento do último livro. Aquilo é digno de ser assistido uma vez na vida. Eu não passei do segundo livro mas há quem viva aquilo. E pertença a um clube de fãs. E tenha escolhido uma das 4 famílias. E tenha fatiotas. E se agarre ao livro como se fosse um talão euromilionário.

Enfim, ia de férias outra vez. 

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Há ir e vir e eu amava ir e não voltar

Prestes a ir de férias, poucas vezes me lembro de contar tanto os dias, as horas, os minutos para deixar de me chatear com merdas que são o meu trabalho, que me dão O Palácio, sushi e roupa lavada mas que não são a minha vida. Farta. Solenemente farta do que faço. Ou de com quem faço ou para quem faço ou onde faço.

Procuro à minha volta. O mercado de trabalho está uma merda. Conheci até uma empresa, não da minha área mas que me chegou aos ouvidos, que procura gente "honesta, com boa imagem e disponibilidade imediata" para fazer trabalho tão pouco escrupuloso num horário absurdo e a perder de vista porque "empresa tipo americana", "brainstorming", "treinar o foco", sem ordenado base, sem horário, por comissões e recibos verdes, implicando mexeres-te, por tua conta, por Lisboa e arredores. Estamos rodeados de gente desonesta que cultiva o trabalho precário mas que se queixa da rotatividade dos recursos humanos.

No meu ramo, actualmente oferecem aquilo a que chamo de miséria face aos conhecimentos que temos e ao que podemos desenvolver na comunidade. Batem-nos nas costas e quase dizem, com ar de filhos da puta sonsos, E muita sorte tens tu em ter trabalho, cala-te e come.

Estou farta. A trabalhar não enriqueço. Com o milhões só me fico pelos 8€ que perco no jogo a seguir. Já pensei ir para jogadora de futebol mas não faz a minha cena. Mas já escolhi o próximo emprego da minha vida. Hei-de parir o próximo Questiano Reinaldo. Posso não gozar a vida nos 30 mas ainda vou ter fotos minhas D. Dolores-like no jacto privado do gaiato.



Para desopilar, valha-me pensar em alguns dias de praia com um louro e um moreno ao lado.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Euro 2016

Oh sim, trabalhasse eu na Câmara de Lisboa e tivesse tolerância de ponto à tarde, estivesse eu de férias ou tivesse sido decretado feriado nacional e estava agora colada aos ecrãs da televisão a ver a parada ou, quiçá, montada numa bicla ou com o corpitxo sentado na janela de um carro a perseguir os meninos campeões.

A sério? As televisões vão passar o dia nisto? Ainda vamos saber o que almoçaram os campeões ou se vomitaram de emoção...

quinta-feira, 7 de julho de 2016

#quesafodam

Não sei se terão lido Uma Aventura. Se a memória não me falha, que não estive para ir pesquisar, era Uma Aventura em Evoramonte. Aprendi a contar os segundos entre o aparecimento do relâmpago e o som do trovão. Era automático. Via a luz e começava.. Um, dois, três, quatro...

Hoje, estava eu na converseta com o mê hóme, o vinho a ser aberto, o sushi à nossa espera, a soja a assentar, discutíamos as coisas da vida, o dia de trabalho, no limite e subentendido como ser pobre custa e não é a trabalhar que lá vamos, quando... goooooooooollllloooooo!!! Lá fora. Automaticamente: um, dois, três, quatro... Três minutos depois, um, dois, três, quatro... Sete. Contei, pelo menos, sete segundos de delay em relação à vizinhança. E não é a um ou dois, é a muitos, que parecia uma festa de berraria!

Não vale a pena ter a televisão ligada, assim poupo-me ao stress.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Euro 2016 ou como o Ano Novo chegou mais cedo

Antes de mais, descobri que os meus vizinhos têm um serviço de televisão bem mais rápido que o meu. Eu, que só cheguei a casa a tempo de ver as grandes penalidades, ainda estava ali no treme-treme, sem confiança nenhuma no Moutinho e a mandar vir com o Questiano Reinaldo, e já os vizinhos festejavam os falhanços e os golos com delay suficiente para eu poder gozar antes de ver.


Mas melhor, melhor e digno das festividades da Madeira, é saber que tenho vizinhos que vêm para as janelas/varandas berrar, bater histericamente as tampas das panelas, mandar uns foguetes valentes ao ar e pegar nos popós para dar umas voltas pelos quarteirões a bombar na apitadelas...

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Menos, muito menos

Antes a senhora cheirava mal. Cheirava a um misto de roupa não lavada, suor e urina. Do mais nauseabundo que já senti.


Agora, com este nariz novo, cheira a tudo isso mas tremendamente mais intenso. A anos de urina naquela roupa ou a anos de falta de lavagem.


(Saudades do nariz velho!)

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Aleluia, irmãos! - não recomendado aos mais impressionáveis. Ou não.

Estou em casa há uma semana. Achava que iam ser livros e séries e gelados e gelatinas. Na realidade, foram poucas séries, algumas dores de cabeça, muita sopa e muita lavagem de ranhoca.

E tudo começou... há uma semana.

Entrada no hospital, ficar lá a pastelar até à hora do início das cirurgias, vestir o pijaminha da moda, as meias elásticas, levar com o acesso na mão, garantir o jejum de 8h. E "vamos, menina?" A menina foi de maca até ao bloco, senti-me num episódio de Grey, a ver as luzes e os corredores a passarem-me por cima. Vi a médica de relance, à entrada do bloco, depois de a ter visto apenas em duas consultas até ali. Na marquesa do bloco? Encreparam-me. Literalmente. Com um nó. Marquesa pequena, braços que caem com a anestesia? Então, vamos usar lençóis e encrepá-la! Um tensiómetro no pé a apertar ocasionalmente, muito aparelhómetro e, subitamente, muita gente. Chega-se-me o anestesista. "Vamos dormir?" "Vamos, desde que prometa que depois vou ter um belo anti-emético à minha espera!" E foi ali que pensei que ia quinar. Quando o homem me espeta a máscara na cara, percebi que era agora, era real, ia ser operada, ia levar mocadas no nariz. Sem stress. O stress apodera-se de mim quando aquela máscara amarela, cor de látex sujo, se me cola à boca e nariz, me permite inspirar mas parece que me mata porque não expiro de jeito. Ainda ali estive o bastante para o ouvir mandar vir o propofol ("Agora vai sentir-se a adormecer devagarinho"), para me sentir relativamente em pânico porque aquela máscara é claustrofóbica, ele a dizer inspire e puff, qual devagarinho?, puff!! Morri.


Morri. Quando acordei só me lembro de chorar profusamente. Lágrimas por todos os lados, sei que levei logo as mãos aos olhos e pareciam infinitas. Sei que me berravam Respire pela boca, respire pela boca. Sei que me apetecia matá-las porque respirar pela boca era um tormento. Claro, não chegassem os tampões cheios de nhanha enfiados no nariz até ao cérebro e dando a volta até à garganta, ainda tinha dores de garganta. "Fui entubada? Claro, menina. Que horas são? 18h30". Demorei 1 hora no bloco. Demorei 45 minutos a abrir totalmente os olhos e a conseguir ver o relógio com as 19h15 marcadas. Estava bem lúcida. A delirar. A pensar que jamais ia aguentar aquele tormento no nariz. A flipar da marmita. A pensar que ia arrancar os tampões. Mas que merda! Mas que merda?! Quem consegue respirar pela boca quando tem o nariz tapado, fortes dores de garganta e sente ali umas merdas para cima e para baixo no fim da garganta sempre que engole? Jurei ódio eterno aos tampões. E achei sempre que ia ter que me controlar para não arrancar aquilo à unhada. Foi o piorzinho de acordar. Mexer a cabeça era pouco recomendado. Tonturas à séria. Os olhos mexiam, a cabeça não. Depois fui falando com as enfermeiras sobre a baixa, sobre o pós-operatório, sobre o que comer, sobre a minha tensão. Pedi analgésicos, deram-me chá gelado e um belo antibiótico na veia. Fiz o levante, fui ao chichi sozinha, estava tudo fino. Olhei-me ao espelho. WTF??? Que nariz era aquele? Vermelho, inchado, enoooorme! Fui para o quarto da enfermaria de cadeira de rodas. Às 23h comi sopa gelada e bebi um sumo pela palhinha. A primeira coisa que fiz com o telemóvel foi guardar a minha imagem zombie para a posteridade. Depois, foram mensagens, Whatsapp, chats de FB, fotos. Até que o Atarax começou a adormecer-me. A minha pior noite. Hora de dormir? Ahahahahaha! Dormir? Ahahahahaha! Quem é que queria dormir com aquilo no nariz, de boca aberta, garganta esgatanhada e beiços carregados de baton do cieiro? Senti-me obrigada a largar o telemóvel e a desligar a luz porque duas das operadas do dia já estavam mais lá que cá e a que estava ao meu lado ia ser operada logo cedo. O melhor foi claramente a cama reclinável. O pior foi toda a gente à minha volta aos ronquinhos, acordar com qualquer barulho, sentir o bigode de gaze a encher de sangue. Acordei com as galinhas. Todas aliás, tirando talvez a que foi operada depois de mim que deve ter levado uns hipnóticos para dormir melhor. De qualquer forma, já conheci a sensação de recobro num hospital. Tudo a acordar e a adormecer, acorda, adormece, acorda, adormece, é um ciclo interminável. O pequeno almoço e o lanche a meio da manhã? Um leite branco e um iogurte líquido. Saí do hospital com recomendações de não baixar, não apanhar sol, repousar sem ser preciso estar de molho na cama, de comer líquidos/moles e frios, de não passar a ferro (RISADA MAJOR!), de não cozinhar, de tomar banho tépido a frio. Morta de fome!

Chegada a casa. Tenho um cão. Pequeno. Bebé. Pegajoso. Brincalhão. Mijão e cagão. Baixar era inevitável. Mas em modo lento, e em versão dama a agachar mas em modo camionista a verbalizar impropérios ao bichinho incontinente. Correu tudo bem. Trouxeram/Fizeram-me sopa, gelatina, iogurtes, gelado, purés de fruta, banana esmagada, batatas cozidas desfeitas com ovo esmigalhado, queijo fresco batido. Claro que enquanto tinha tampões comia 3 colheradas e pouco mais. Por meia dúzia de vezes, obriguei-me a comer mais porque com o calor, a anestesia, a alimentação mole e fria achei que ia dar beijinhos ao chão. E nada tinha sabor. Passei a fome dos demónios e já deito sopa pelos olhos, só quero é proteína e sopa com carne passada já não é para a minha idade. Já estou na fase de fazer asneiras e de ir mastigando o que não devo. Se me apanho a comer Mc ou sushi até desfaleço de emoção. 

Sexta à noite. O dia em que, com as dores de garganta, o congestionamento lá atrás na garganta, os tampões cheios de sangue e o sabor a expectoração, a impaciência e dificuldade em respirar me fazem engolir parte de um tampão que desceu pela garganta. Barrrffffff. (Alívio!)  Vontade de ler ou de ver tv ou de me pôr ao pc a ver a vida? Bola. Ora não conseguia ter os olhos bem abertos, ora tinha sono porque não havia noites bem passadas, ora chorava imenso por causa da pressão no canal lacrimal. Nos primeiros dias tão pouco queria saber do mundo, da televisão. Alternava entre dormir no sofá tapada até ao pescoço (!), olhar para o infinito com cara de zombie, tomar comprimidos, fazer gelo e adormecer de gelo na penca, tirar a febre (e estragar dois termómetros - a anestesia lixa-nos a memória, esqueces que estás a medir a temperatura, o termómetro cai no chão quando te levantas e já está!), comer e rezar para que o loiraço dormisse. O astral melhorou com a aproximação da retirada dos monos. Vi séries de forma muito intermitente, geralmente à tarde quando me passava mais a dor de cabeça. Dormir com três almofadas não é para todos. Não li. Fui ao computador uma semana depois da cirugia porque queria fazer compras no Continente Online. Os tampões, biodegradáveis, saíram ao quarto dia com seringadelas de cerca de meio litro de soro. Desfizeram-se pelo meu lavatório abaixo. Aquilo parecia uma mesa de trabalho do Frankenstein. Soro, nheca, seringas e compressas. Fez-se algum ar no meu nariz só para entupir com mais nhanha. Passei a respirar pelo nariz ali entre ir à consulta aspirar secreções e restos de tampão e quase desmaiar por me aspirarem crostas e bocados de cérebro.

Mantenho os pontos (apelidados de novo piercing sensual ou brinco de boi) que espero que tirem na próxima semana, mantenho a baixa e os cuidados a ter, mantenho a dor de cabeça, no céu da boca e na ponta do nariz, ainda ando a sopas frias e a lavagens de soro, respiro voraz e exclusivamente pelo nariz, tenho toneladas de ranhoca verde como se estivesse de caixão à cova com uma constipação daquelas e ainda me pergunto COMO HÁ GENTE DISPOSTA A ISTO POR ESTÉTICA, para parecer a filha ou o Bibas ou a Barbie? Botched? Ninguém aparece com aquele ar num primeiro dia pós-operatório!

sexta-feira, 17 de junho de 2016

O Michael Jackson é que a sabia toda

Esta que vos escreve está viva. Com tampões no naniz enfiados até ao cérebro, com olhos de zombie, mas viva.

Mais posts deverão surgir, ora por causa do hospital, ora por causa das enfermeiras, ora porque uma vez farmacêutica sempre farmacêutica, ora porque... 

Para já, o que há a dizer é que propofol... Propofol está com tudo. "Vai sentir-se a adormecer". Really? Sentir-me a adormecer é ter chiliques e saber que estou quase lá. Propofol é teres perfeita noção do que te rodeia e puff... Parece que te dão uma traulitada certeira e indolor na cabeça e, já está, acordas no recobro. Ammeeeeeeeiiiiii!

O Michael não brincava em serviço. Espero é que também tivesse um médico jeitoso a quem pudesse fazer olhos de cachorrinho abandonado a pedir para depois não ir chamar o Gregório.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

O descanso da guerreira

Meia folga. Entrar a meio da tarde.

Previsões? Dar um jeito na sala e na cozinha, tratar do computas, fazer um sumo com as 20 laranjas que tenho em casa, dormir um bocadinho mais, ver séries em atraso, namorar o bicho.
Realidade? Acordar às 8h, ver dois episódios enquanto se namora o bicho, passar-me com o computas, namorar o bicho, pensar no que queria fazer, namorar o bicho.

Sobra para quando sair do trabalho.

terça-feira, 31 de maio de 2016

Pontaria

É no dia em que ponho as garras de fora e resolvo falar das férias e horários que me ligam a marcar uma operação que implica, pelo menos, uma semana de baixa.


Cócegas. É como se me tivessem feito cócegas no corpitxo todo.