sexta-feira, 13 de março de 2015

Posta à prova - contenção de vómito

Aquele cheiro. Aquele cheiro a morto-vivo ou a urina seca entranhada no tecido ou a sebum numa roupa que nunca viu água e detergente. À minha frente a pedir-me paracetamol. Unhas limpas, cabelo lavado. Cheiro absolutamente nauseabundo. Absolutamente.


Aquele sabor. Aquele sabor a vaselina rançosa, petróleo fétido. Aquele sabor absolutamente incomportável que me fez olhar para o relógio de 3 em 3 minutos até fazer 24 minutos do que deveriam ser 30 e que me fez sentir movimentos anormais no esófago do género "Aí vem o jantar ligeiro". Aquele sabor pavoroso que me fez repelir a ideia de voltar a pôr aquela pomada nojenta num buraco de um dente logo a seguir ao pequeno almoço ou a caminho do trabalho porque ia saltar fora. Aquela pomada que serve para conjuntivites e assim, e que devo manter num alvéolo dentário com uma compressa durante 30 minutos, mas que escorre para a língua, duas vezes ao dia.


Já sinto o almoço a subir.

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