
Ponto primeiro. Fui jantar ao Bairro Alto na sexta-feira. Levei uma mala pequena, Cartão do Cidadão, 30€ e o MB. Cheguei a casa cerca de 5h depois sem o Cartão do Cidadão.
Ponto segundo. Fui para o Porto de comboio. Sem CC e com a "necessidade" de o apresentar ao pica. Felizmente não. O comboio partiu com atraso. A partilhar dos nossos lugares, um triste que falava em "terakis", que se espreguiçava como se não houvesse amanhã e que achava que podia limpar a sola dos sapatos ao assento do lado.
Ponto terceiro. Tive um belo Sábado que nem tudo pode ser mau. Sol, calor, uma bela paisagem. Ainda assim, achei que ia ser trucidada por espanhóis, franceses e italianos. A cama do hotel era boua boua boua!!!
Ponto quarto. Céu relativamente nublado. Belo pequeno almoço. Caminhada de 30 minutos. Por volta das 13h, e depois de me benzer por sempre ter levado o casaco, começa a chover. Não eram pingos, eram enxurradas. Apanhei A molha da minha vida. A. Sem arredar pé. Num sítio onde não havia abrigos. Num sítio com árvores enquanto trovejava. Com o telemóvel do homem comigo e sem saber dele. E sem saber que tinha o telemóvel dele comigo, liguei, liguei, liguei, liguei. O meu iPhone à chuva. Por mais que ligasse não ouvia nada. Embora o tempo de chamada (que percebi depois ser do correio de voz), contasse. O iPhone morreu naquela descida do dilúvio no Porto. Cabutz. As botas de camurça todas molhadas, pés a fazerem chop chop, o casaco todo molhado, a pesar três vezes o seu peso, as calças de ganga todas coladas ao corpo, o cabelo colado à cara, o rímel a escorrer fronha abaixo. Pus-me a caminho do hotel, o check-out estava perto. Fui. Sem homem. Sem saber dele. A caminho do hotel, a penantes, porque nada de táxis, passa-me um senhor condutor cabrão filho de puta ao lado a assapar. Não estivesse eu já molhada e tinha-lhe atirado uma pedra da calçada ao ao carro, cabrão de merda, que me deu um banho integral. Avé senhor, que, na loucura, e quando se está algo desesperada, perde-se o juízo, aceitei boleia de um tipo com ar razoável que fez a sua boa acção do dia ao salvar dois desgraçados do fim do mundo e deixou-me à porta do hotel. Espero que o Senhor lhe dê muitos meninos e um EuroMilhões.
Ponto quinto. Cheguei ao hotel 45 minutos antes do check-out graças à boleia. Tomei banho quente, "sequei" as calças com o secador, nada a fazer às botas, arrumei os tarecos. O meu telemóvel toca de um número que nunca vi na vida. Atendo. Nada. Ah pois, o iPhone morreu. Mas só em parte. Eu é que não oiço.'Tou, 'tá lá, és tu? Não te oiço mas estou no hotel. Hora de sair e nada do homem. Equaciono falar com a famelga dele, Olha perdi-o... Começo a pensar nas hipóteses, polícia, hospital. Seria assim tão estranho assumir como ponto de encontro o hotel? Como era a vida antes dos telemóveis?
Ponto sexto. Ele chega já depois do check-out feito. À moça da recepção, desejo muitos meninos e um cavaleiro andante ou uma carreira promissora, whatever. Banho quente. Ainda assim a tremer-me que nem varas verdes. E o homem é uma brasa. Olha, queres lá ver que tenho um hipotérmico aqui, agora?
Ponto sétimo. Francesinha. Tarte de amêndoa. Café. Eu a tremer que nem varas verdes com os pés numas botas a fazerem chop chop e com o único casaco a pingar água nas mangas. Fui às compras. Detesto lantejoulas e comprei uma camisolinha de malha com um laço em lantejoulas!!
Ponto oitavo. Fim de semana a aproximar-se do fim. Eu, no comboio, descalça. A pensar. Segunda, folga. Segunda, ir à polícia dar baixa do cartão do cidadão, ir a uma loja do cidadão ou cartório para fazer outro, ir à minha consulta de gaja, ir a uma loja dar uso à garantia do telemóvel, escrever cartas para a senhora Galp e afins. Belo dia. Belo, belo dia.
Ponto nono. Segunda. Parece que habemus Cartão do Cidadão algures numa esquadra de Lisboa. Que o Senhor dê a quem o entregou aquilo que mais deseja.
Ai gozas com o Puorto. Pimbas. O feitiço só desaparece quando regressas à capital... E devo estar a esquecer-me de mais qualquer coisa...
Pontos a reter: A cama era boua:)...ofereceram-te boleia e a moça do hotel era um anjo, francesinha, tarte de amêndoa e café e banho quente fora de horas...ah! Não deste cabo do casaco novo?! pois não?! Quanto ao aguaceiro podias tê-lo levado contigo..é que tu já foste embora, mas ele ficou por cá, embora hoje traga consigo rajadas de vento...enfim as maravilhas de um Inverno no norte :(
ResponderEliminarAh, uma moça positiva!!
EliminarDuas coisas a reter:
ResponderEliminar1 - tu deixas o homem ir maratonizar sem um telemóvel? Nem um nokia 3310 levou ele? tsc tsc, novatos... eu, na minha primeira e única maratona (de Lisboa, 2010) se não tivesse levado telemóvel, nunca poderia ter ligado à minha cara metade, a cerca de 8km da chegada, para dizer tão singelamente "estou amor, está quase, estou no Intendente" :D
2 - botas de camurça no nuórte? tende juízo! :P
Sabes, estava a chover, os telemóveis não podem apanhar molhas... E não contava com chuva daquele calibre =(
EliminarAssim de repente... Até parece que o norte é mau! :p
ResponderEliminarArre, mau feitio! Direcciona-o para as cartas à Galp.
Oh diacho, nem tive tempo para escrever essas cartas. É hoje, é hoje!
EliminarOu seja, foi tudo em bom. Quase.
ResponderEliminarQuase. Faltou-lhe um poucochinho assim.
EliminarDeixa lá, quem passou por maluco e teve que andar a pedir a desconhecidos para telefonar do telemóvel deles, fui eu.. :)
ResponderEliminarSim, Tretas.
Eliminar(O meu prémio?)
hahahaha. fim-de-semana inesquecível portanto!
ResponderEliminarDigo-te, vai ficar na memória. Foi só voltar para Lisboa, fiquei com o iPhone fino e apareceu o CC.
EliminarUm azar nunca vem só!
ResponderEliminarE não veio. Só via formas do comboio explodir no regresso...
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