Que pasmo quando, numa viagem de metro, consigo ouvir o descalabro de vidas que para ali anda. Basta estar perto de alguém que fale ao telefone e que goste de falar. Que consiga ligar para duas pessoas e ter a mesma conversa. Por que se não apanhei o início com a primeira, fiquei a perceber com a segunda. Afinal, quem lhe tirou os candeeiros do tecto, quem lhe desligou as máquinas, quem lhe deixou os lençóis e colchão pelo chão, quem a vai impedir de lavar roupa e passar a ferro no fim‑de‑semana, quem foi a razão de ter mandado um amigo lá para outros sítios e quem a fez estar tão exaltada que desligou o telefone na noite anterior não foi o tipo dela, como eu tinha assumido inicialmente. Foi o senhorio. E ela só sai lá de casa a 25!
Pelo menos não fiquei a saber o tamanho das cuecas ou o diâmetro das fezes do cão.
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Debitem lá essas chatices...