quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Sarah préfère la course

A Sarah ama correr. A Sarah corre. A Sarah corre porque gosta. Correr. A Sarah quer é correr. E podia ser só isto.

Mas a Sarah não tem perspectivas de futuro. É vazia de conteúdo. Gosta de correr. Corre para se escapar da relação ambígua com a mãe. Corre para sair de casa e viver à sua conta. Casa para correr. Corre para fugir ao marido. Não é voluntariamente divertida mas sabe sê-lo. Não sorri muito. Não é muito feminina. Não fala muito. Corre para fugir à sua amiga cantora. Corre para não pensar nos planos de infância - encontrar emprego, casar e ter filhos. Corre porque sexo com o marido não é para ela e dá-se conta disso depois da primeira e única relação sexual, na manhã seguinte. Corre porque a vida dela é correr ainda que o coração lhe possa querer trocar as voltas.


A Sarah corre porque não sabe lidar com a sua sexualidade. Desengane-se quem quer ver a vida de uma atleta. A corrida é a forma de psicanálise mais barata que a Sarah tem para lidar com a sua homossexualidade implícita. O filme é sobre a corrida. Uma forma de catarse como tantas outras.

4 comentários:

  1. Humm...
    Estou a ver que andas a por os filmezinhos em dia...
    Aproveita..

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    1. Sempre que posso =)

      (Hei-de chegar ao fim da semana a suspirar pela cama)

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  2. Respostas
    1. Vê-se. Mas ficas com a sensação de não saber muito bem o que estiveste a ver ou qual o objectivo...

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Debitem lá essas chatices...