Venho sempre para aqui cantar de rainha quando vejo alguém a botar ao bolso alguma coisa no sítio onde trabalho e eu vou a correr com o meu Psssht, e pagar?
Hoje venho dizer que fiquei parada. Que vi, que o que tinha visto tinha mesmo acontecido e tinha sido aquela pessoa, e que não dei um passo. Congelei. Vi a luta com a embalagem que não queria sair, vi a naturalidade com que a embalagem lhe ficou nas mãos quando saiu de costas para o balcão. Não mexi um músculo. E pensei se teria mesmo visto aquilo. Se, de alguma estranha forma, pudesse ter havido ali um mal entendido. Porque era alguém que conheço desde que ali trabalho, alguém a quem confiava o tasco por momentos se estivesse sozinha e precisasse esvaziar a bexiga. Na dúvida, depois de me ter derretido o gelo, fui ter com quem de direito, relatei o que vi e pedi para ver as gravações das câmaras. Eu vi bem. Merda, eu vi bem. E se calhar o melhor que fiz, inconscientemente, foi não ter mexido um milímetro. Porque daí para a frente, e mediante a revisão das gravações dos dois últimos meses, foi ver, de ver, de assistir àquilo, impavidamente mas a ferver, àquela classe e naturalidade, de ver desaparecer mais de meia dúzia de produtos das prateleiras. A ironia é toda aquela mestria ter sido apanhada, porque ninguém desconfiava e foi um choque, a tirar uma embalagem de 7€ quando já levou dúzias ao longo destes anos por mais de 30€.
Hoje venho dizer que fiquei parada. Que vi, que o que tinha visto tinha mesmo acontecido e tinha sido aquela pessoa, e que não dei um passo. Congelei. Vi a luta com a embalagem que não queria sair, vi a naturalidade com que a embalagem lhe ficou nas mãos quando saiu de costas para o balcão. Não mexi um músculo. E pensei se teria mesmo visto aquilo. Se, de alguma estranha forma, pudesse ter havido ali um mal entendido. Porque era alguém que conheço desde que ali trabalho, alguém a quem confiava o tasco por momentos se estivesse sozinha e precisasse esvaziar a bexiga. Na dúvida, depois de me ter derretido o gelo, fui ter com quem de direito, relatei o que vi e pedi para ver as gravações das câmaras. Eu vi bem. Merda, eu vi bem. E se calhar o melhor que fiz, inconscientemente, foi não ter mexido um milímetro. Porque daí para a frente, e mediante a revisão das gravações dos dois últimos meses, foi ver, de ver, de assistir àquilo, impavidamente mas a ferver, àquela classe e naturalidade, de ver desaparecer mais de meia dúzia de produtos das prateleiras. A ironia é toda aquela mestria ter sido apanhada, porque ninguém desconfiava e foi um choque, a tirar uma embalagem de 7€ quando já levou dúzias ao longo destes anos por mais de 30€.
O mistério dos stocks errados ficou esclarecido. O diagnóstico de cleptomania está dado e não preciso de médico para confirmar. ~
Assusta-me pensar no que a espera mas quero desesperadamente estar lá para assistir e fazer o meu olhar de vergonhosamente condenável.
Assusta-me pensar no que a espera mas quero desesperadamente estar lá para assistir e fazer o meu olhar de vergonhosamente condenável.
Gostava de ser mosca:)
ResponderEliminarEu gostava de apanhar a personagem num beco escuro.
EliminarNecessidade? Doença? Porque achava que podia? Que nunca seria apanhada?
ResponderEliminarCito.
Eliminar"Não é doença, é porque é fácil."