quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Se não me puder queixar aqui, onde poderei?

Pior noite dos últimos dias. Acordar a breves trechos para conseguir engolir. Mete-se na cabeça de alguém?
O despertador toca. Não para mim. Snooze. Mais snooze. Abracinho. Miminho.
Tunga, sozinha na cama. Isso significa que se acaba o modo Natural e se entra em modo Pijama. Na despedida, Não adormeças, não te esqueças que vais trabalhar.
Adormeço. O despertador toca. Cabrão. Mentalizar-me que é para ir trabalhar. Falar com pessoas. Falar. Engolir. Comer. Ter que comer para me manter de pé. Comer. Engolir. Oh meu deus.
Casa de banho. Água a aquecer para banho. O bem que me sabe direccionar o jacto de água quente para o pescoço. Olho para a minha cara ao espelho. Nice. Agora sim, convido a que me chamem amarela e mal encarada. Atiro-me para a cama para aquecer e ganhar coragem para me fazer à vida. Rezo pelo antibiótico e pelo spray que me foram entregues em mão ontem à noite pela chefa que só faltou dar-me um chuto e dizer Mete-me esse rabo dentro de casa já imediatamente. É simples, eu sou resistente a antibióticos. Em casa de ferreiro, espeto de pau. Mas já chega. Não sei mas acho que até sonhei com a foto que me enviaram que metia três colegas de trabalho, três seringas e três caixas de penicilina injectável. 

A despachar. Calças, blusa não muito quente porque o tasco com as suas luzes e a bata por cima são um inferno de Verão ou Inverno. Um cachecol enroladíssimo à volta do pescoço. Brincos pérola. Só. A sério, isso denuncia bastante o Estou a cagar-me para isto. Secar o cabelo. Pá, eu não seco o cabelo. Maquilhar. O que posso fazer desta cara? Admito que o blush foi a melhor coisinha que comprei. E que a máscara de pestanas e um gloss fazem milagres. Além do corrector de olheiras, claro. 

Preparação do anti-inflamatório. Porra. Aquela merda sabe mal, precisa de dois copázios para dissolver. Eu adoro água. Eu tenho sede. Eu sonho com água. Mas eu não consigo beber 2 golos seguidos sem ficar com lágrimas nos olhos. Portanto, 2 copos de água em golinhos intervalados. Não soubesse já o que custa engolir com uma sonda naso-gástrica e diria que queria uma para mim. Leite com café a aquecer. 2 broas castelar só para não dizer que não como nada. Claro que molhadas no leite. Bebo 1/4 do leite e não consigo mais. O telemóvel toca. É a chefa. E então, toda vestida, só a faltar o casaco e as botas, ela diz: Não te quero aqui doente (li Pelo amor da Santa, não me transmitas essa merda que ainda me lembro do rabo dorido durante uma semana), vê se te pões saudável (Ao telefone, Mas que voz é essa? O que fizeste à Chata?), se vens hoje, amanhã faltas outra vez. Diz-me, contigo também te doía gengivas, dentes e bochechas? Estou toda minadinha e é vingança tua.

Modos que estou em casa, no sofá, vestida, cachecol enroladíssimo no pescoço. Não abro a boca para falar ou comer desde o acima descrito. Estou com uma fome capaz de comer um touro. Vejo ofertas de vales de desconto de sushi no mail e começo a salivar. E de cada vez que engulo penso 'Sa foda o sushi. A menos que seja todo passadinho.

12 comentários:

  1. Volta ao pijama e séries já. A chefe não te quer lá para não passares o mal dos coelhos, eu não te quero lá para ficares pronta para mais gravações.

    R.

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    1. Pijama, séries, sofá, mantinhas.
      Prometo a tua gravação para a semana ;)

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    1. Engolir.
      Eu engulo.
      Tu engoles.
      Ele engole.
      Nós engolimos.
      Vós engolis.
      Eles engolem.
      Que tal?

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  3. primeira vez no teu blog e gostei muito:) vou continuar por ca!

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    1. Aparece sempre.
      (E traz-me a saúde de volta, que tal? ;) )

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  4. hehehe...
    É só uma semanita...depois passa. Como gaja de farmácia que és, devias estar prevenida!
    :)))

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    1. Em casa de ferreiro, espeto de pau.
      Mais, provavelmente é na farmácia que apanho maior parte destas merdas :(

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  5. Só vale a pena estar doente se estiveres a ser convenientemente mimada.

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Debitem lá essas chatices...