quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Não sou fã dela. Que não sou mesmo mas...

Mandam as leis do bom senso e da experiência não dar crédito a homens que falam muito de amor, que nos dizem ao primeiro encontro que se apaixonaram, ao segundo que somos a mulher da vida deles e, ao terceiro, que fazem planos para o futuro. Depois, ao quarto querem viver connosco para todo o sempre e mais além.
Para pessoas assim, devia existir um spray – senão repelente ao menos neutralizante –, que anulasse ou retardasse tais criaturas, pela simples razão de que tanta vontade, tanto interesse e tanto empenho podem até ser verdadeiros, mas pouco têm a ver com amor.
Claro que todas gostamos de tiradas românticas, de rosas na cama acompanhadas de banda sonora adequada ao momento, de mensagens escritas a perguntar se queremos casar – mesmo quando não queremos – e não resistimos aos clichés mais clássicos, enjoativos e previsíveis como: ‘és a mulher da minha vida’, ‘finalmente encontrei a pessoa certa para mim’, ‘nunca conheci ninguém como tu’, ‘és a mulher mais bonita do mundo’ – mesmo que seja a seguir à mãe dele – ‘foi isto que eu sonhei para mim’, etc.
Mas, no fundo, bem lá no fundo, onde acaba o coração e começa a consciência, há uma voz de alerta avisando-nos que se calhar a vida não é bem assim, que o Aladino não é nenhum príncipe e que à terceira volta no tapete mágico podemos cair a pique e partir a cara.
O ALADINO era um tipo ambicioso que queria protagonismo e subir na vida rapidamente e em estilo. Vai daí, armou-se em príncipe para conquistar a princesa Jasmine, que ao vê-lo todo emproado – mascarado do que não era graças às capacidades efabulatórias do seu amigo Génio – não reconhece o rapazinho pobre que com ela se cruzou no mercado e a levou a dar uma volta no tapete mágico.
Cada um tem as suas idiossincrasias e eu não escapo às minhas; ver os filmes da Disney é uma delas, por isso, desculpem-me a infantilidade do exemplo que é para mim paradigmático. O afoito pedinte, que só possui três encantos, uma carinha laroca, uma lata descomunal e o dito tapete, convida a donzela para um voo romântico. E quando ela hesita, desconfiada com tanta simpatia, ele estende-lhe a mão e pergunta: «Will you trust me?». Jasmine hesita mais uma vez e por fim arrisca. Dão um belo passeio musicado, no fim do qual, quando ele a desembarca na varanda do palácio, já está conquistada. O feitiço foi lançado; a partir desse momento ele pode desaparecer, levar outras a passear, deixá-la pendurada ou mesmo puxar-lhe o tapete, porque ela já foi apanhada.
HÁ quem apregoe que o mais importante numa relação é o respeito, mas para mim é a confiança. Porque com ela constrói-se tudo e sem ela nada é possível, nem mesmo o respeito pelo outro. A confiança é como a virgindade, só se perde uma vez, e quando é dada como perdida, não há caminho. É como olhar para trás depois de passar uma porta e a porta já lá não estar. Quando há mentiras e manipulações, é porque não há respeito, e quando não há respeito, não há amor. Nesses casos, mais vale puxar o tapete antes que nos façam o mesmo e trancar a porta. Ou mesmo mudar a fechadura, se for caso disso.

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