sábado, 10 de setembro de 2011

E qual é a melhor maneira de estar prestes a entrar de férias?

Com muito muito trabalho!!
Chata Maria completamente alone na farmácia. Literalmente. Tal como no último mês e meio. A atender. Sozinha. E então, lá me entra alguém que tem medo que os medicamentos esgotem enquanto vai de férias ou que subam os preços ou que haja um imprevisto e tenha que ficar a vida toda onde Judas perdeu as botas. 6 receitas, que tendo direito a dupla comparticipação, são sujeitas à maquiavélica presença da nossa fotocopiadora. Que é movida a carvão. E ainda são 6x4 medicamentos para ir buscar e 6x2 receitas para imprimir e 6x2 receitas para a sujeita assinar e para a Chata carimbar, datar e assinar. Claro que, embora despachadona, durante este espaço de tempo, é ver a farmácia cheia de olhos a piscar a olhar para mim. Não me incomodando esse facto, que sou só uma e não me multiplico como os pães, lixa-me completamente aquela gentinha que se amontoa em cima do meu pequeno balcãozinho e se põe a ouvir as conversas. Gente mal-educada! Dez minutos na brincadeira, chega a vez de um "from abroad" a queixar-se gómitos e diarreia. Que queria o medicamento XPTO que existia na terra dele ou medicamento XYZ. Mas o que é isso na sua terra? Don't know. Chata a aceder às netes, aos gogalos, a dizer que não há nada equivalente, a tentar convencê-lo a comprar a única merda que existe nos Portugales para essas situações, espreita pelo canto do olho, farmácia cheia. Lá está o tipo que foi transplantado e que vem diariamente medir a tensão. Aaaaaaaaaaaaaaii. Estrangeiro resigna-se, leva o que há, telefone a tocar que nem um perdido. O transplantado de coração a olhar para mim com ar de cão abandonado, que o senhor era um doce e ali era nitidamente a mulher a usar as calças lá em casa, Oh Dra (ler em açoreano serrado, por favor) era para ver a tensãozinha dele... Chata a correr para a máquina, põe moedas, não fale, não mexa, carrega no On (ou lá que merda diz o botão), volta para o balcão, velho marreta. Voltaren rígido e compressas daquelas que você não tem... Devo ser mesmo reles... Aparece-me depois um tipo a pedir um medicamento de 50 óiros para um primo da chefa. Olha-me este, quer borlas. Ah e tal não tenho autorização para isso. Então fale com o primo. Chata fala, pergunta em que nome vai o recibo, a ver se ele percebe a dica. Faz a venda e pede os 50 óiros. Ah não, era para ficar aí pendente. Pendente? Pendente, como? Só com autorização da chefa. É vê-lo ligar ao primo da chefa que diz que vai ligar à chefa que diz que vai ligar para mim. Farmácia a encher. 3 pessoas a olhar para mim, telefone a tocar, o cabrão do gajo a dizer: deve ser a Do-tô-ra. Oh carai, queres que largue tudo e vá a correr lamber as botas da gaja que me paga o salário, é? Telefone cala-se, gajo fulo da vida. Telefone recomeça, Chata mede uma tensão, vai buscar um medicamento, faz uma fotocópia e atende o telefone. Cheeefa! Ofertar o medicamento? Com certeza, chefinha, tu é que perdes. Farmácia esvazia, Chata a atender uma só pessoa, chega chefa (18h30! Fónix, também quero ser chefa!!). Depois de uma tipa se ter andado as esfalfar desde as 17h (hora em que o outro que não sabe mexer em computadores, que nunca ouviu falar em passar declarações a utentes,  que diz o stock do NãoSeiQuê está errado, confira aí e acerte se vai embora), o que terá sido aquilo que lhe chamou à atenção ao chegar ao backoffice? Um caderno de sudokus bem aberto, ali escarrapachado, cheio de riscos e tentativas... Dasse! Vou de férias... Volto quando voltar

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