"E olho-a. Mas não a encontro. Então vou buscar aquele filme a preto-e-branco com a duração de dois anos. Uma vida. Aquelas noites passadas no divã. Longe. Sem conseguir descobrir uma razão. Arranhando a minha própria face, pedindo socorro às estrelas. Lá fora, na varanda, fumando um cigarro. Segundos depois aquele fumo para o céu, para cima, mais acima, para lá... Ali, precisamente onde não tínhamos estado. Quantas vezes nadei naquele mar nocturno, pedido naquele céu azul-escuro, levado pelos vapores do álcool e da esperança de a encontrar de novo. Para cima e para baixo, sem descanso. Ao longo de Hidra, Perseu, Andrómaca... E para baixo, até à Cassiopeia. Primeira estrela, e depois a direito, até à aurora. E ainda para lá. E a todas perguntava: «Viram-na? Por favor... Perdi a minha estrela. A minha ilha que não existe. Onde estará agora? O que estará a fazer? Com quem?» E à minha volta o silêncio daquelas estrelas embaraçadas. O ruído incomodativo das minhas lágrimas sem fim. E eu, estúpido, que procurava e tinha esperança de encontrar uma resposta. Dêem-me um porquê, um simples porquê, um porquê qualquer. Mas que palermice. Toda a gente sabe. Quando um amor acaba, pode encontrar-se tudo menos um porquê."
em Quero-te muito!, de Federico Moccia
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Debitem lá essas chatices...