quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Excertos #34

- Procuras o amor perfeito?
- Não, eu própria sei que isso não é possível. Procuro o egoísmo. O perfeito egoísmo. Por exemplo, dizer-te que tenho vontade de comer pão não-levedado com sabor a morango. E tu páras de imediato de fazer o que estás a fazer e sais porta fora a correr para mo ir comprar. E regressas sem fôlego e ajoelhas-te e estendes-me o  pão com sabor a morango. E eu digo que já não me apetece e lanço-o pela janela fora. É isso que eu procuro.
- Não tenho a certeza se isso terá alguma coisa a ver com o amor - declarei com algum espanto.
- De facto, tem - retorquiu. - Tu é que não te apercebes. Há ocasiões na vida de uma rapariga em que esse género de coisas é incrivelmente importante.
- Coisas como lançar pela janela pão não-levedado com sabor a morango?
- Exactamente. E quando eu fizer isso, quero que o meu homem me peça desculpa. «Agora compreendo, Midori. Que insensato fui! Deveria ter-me apercebido de que perdes depressa o desejo de comer pão não-levedado com sabor a morango. A minha inteligência e sensibilidade reduzem-se a meros excrementos de burro. Para te compensar, vou sair de imediato e comprar-te outra coisa. O que desejas? Mousse de chocolate? Cheesecake?
- E depois, o que acontecia?
- Depois, dar-lhe-ia todo o amor que ele merecesse pelo que fizera.
- Isso soa-me a loucura.
- Bem, para mim, o amor é isso. Mas nem toda a gente consegue perceber-me. (...)


em Norwegian Wood, de Haruki Murakami


(Do que eu precisava, de vez em quando, era que um bom homem se matasse por mim)

2 comentários:

Debitem lá essas chatices...