quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Excertos #33 (maiores de 18, mesmo)

"- (...) Mesmo assim, não poderias dispensar-me uns breves momentos de pensamento? Gostaria de fazer parte de uma das tuas fantasias sexuais ou dos teus sonhos acordado, ou o que quer que lhes chames. E estou a pedir-te porque somos amigos. A quem mais poderia pedir uma coisa dessas? Não posso dirigir-me a qualquer um e dizer: «Quando te masturbares hoje à noite, pensas em mim durante um segundo, por favor?». Só te peço porque te considero meu amigo. E depois gostaria que me dissesses como foi. Tu sabes, o que fizeste e essas coisas. 
Soltei um suspiro.
- Mas não podes penetrar. Porque somos apenas amigos. Certo? Desde que não penetre, podes fazer e pensar no que quiseres.
- Não sei, nunca o fiz com tantas restrições.
- Mas pensarás em mim?
- Está bem, pensarei em ti.
- Sabes, Watanabe, não quero que fiques com uma ideia errada... de que sou ninfomaníaca, frustrada, uma provocadora ou algo do género. Acontece que estou interessada neste assunto. Gostaria de saber mais sobre isso. Cresci rodeada unicamente por raparigas, numa escola para raparigas, como tu sabes. E gostava de saber o que os rapazes pensam e como funcionam os seus corpos. Não somente por via de suplementos em revistas femininas, mas através do verdadeiro estudo de casos.
- Estudo de casos? - perguntei, perplexo.
- Mas o meu namorado não gosta que eu queira saber ou experimentar coisas. Zanga-se, chama-me ninfomaníaca ou louca. Nem sequer me deixa fazer-lhe uma mamada. Pois bem, morro de desejo de experimentar isso.
- Hã hã.
- Tu detestas que te façam mamadas?
- Não, não detesto.
- Dirias que gostas então?
- Sim, diria que sim. Mas não poderíamos falar disto da próximas vez? Está uma agradável manhã de domingo e não é minha intenção estragá-la a falar sobre masturbação e sexo oral. 
(...)
- Só tens que o fazer uma vez. Pensa em mim, está bem?
- Está bem, vou tentar, da próxima vez - acedi."


em Norwegian Wood, de Haruki Murakami


Pensa uma pessoa que vai voltar a ler algo do tipo gato que fala, corvo que aparece e desaparece, tipo que esventra gatos e é só descrições sexuais, cenas lésbicas, masturbações e afins... Não se fazem livros como antigamente!

9 comentários:

  1. Faz como eu, começa a ler o Corsário Negro, do Emilio Salgari! Esse é um livro de aventuras e de corsários, mas com romance lá pelo meio. Mas tudo muito certinho, não há cá nada de badalhoquices!

    E acredita que vais gostar!

    E são 4 livros...

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  2. A tua biblioteca deve ser muita parecida com a minha, pois tb tenho este, no qual já peguei 2 ou 3 vezes, mas ainda não me deu o click para passar da 4ª ou 5ª página.

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  3. Ted
    Pá isso diz-me qualquer coisa. Acho que li a versão curta para adolescentes :p Ná, prefiro os meus ;)

    Pseudo
    Se vivesses mais perto podíamos alinhar numa troca de livros. Isto de comprar sai caro...
    É um livro estranho. Tal como o Kafka à Beira Mar. É um tipo esquisito, o Murakami!

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  4. Eu alinhava certamente: uma rede alargada...não é isso que já se faz entre os viajantes das estações de combóios? Entram na estação, pegam num livro, lêem e na viagem seguinte, deixam-no noutra estação? Eu acho esta ideia maravilhosa!

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  5. Eu também. Já não sei onde enfiar mais livros...

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  6. Eia eia!
    Livros pornó-badalhócos! ;)

    Quanto ao Murakami, confere...

    Beijinho,

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  7. izzie
    É com cada descrição e cada conversa de doidos... É assim muito feio botar aqui estas pequenas pérolas?

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  8. Qual feio?
    Assim podemos dizer que a culpa é do Murakami ;)

    Beijinho,

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Debitem lá essas chatices...