- Chata, como é que podemos encomendar o creme XPTO?
- Esse creme não está disponível nos distribuidores. E não estamos a trabalhar directamente com eles. Da última vez fomos comprar a uma farmácia (chama-se fidelizar clientes. Ridículo).
- A uma farmácia?
- Sim, à farmácia NãoSeiQuê, foi lá a XXX (tarefeira para todo o serviço). É para uma senhora YYY?
- Sim, ela ligou de manhã.
- Então é só confirmar se eles têm e mandar lá a XXX.
- Chata, trata-me disto?
(Abate-se sobre mim aquela tipa que não pensa antes de falar, cujo gene repressor de saídas a jacto não está em estado activo)
- Não. Foi você que recebeu o telefonema. E consegue falar ao telefone e mandar lá a XXX, certo?
- Chata, epá, faça-me lá um favor.
- Diga.
- Já estamos a ficar sem Cialis e vem esgotado dos armazenistas. Mande lá o fax para pedir directamente.
- Então mas por que não o envia você?
- Ah não sei onde está a folha.
- Eu também não.
(Chata respira fundo, vai ao dossiê das folhas dos pedidos directos, nada. Pega no telefone, liga para a linha de Apoio ao Cliente e pede para enviarem as notas de encomenda por fax. Chegam menos de um minuto depois. Não despendi 5 minutos da tarefa enquanto ele olhava para mim)
- Oh Chata, como é que eu consigo pôr o Google como página inicial?
(Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaii. Devia ser obrigatória a formação mínima em tecnologias)
- Chata, é verdade que vai chover no fim de semana? Veja aí no site.
- Oh V, então por que é que não vê no seu computador?
- Não sei fazer isso e a Chata faz isso mais depressa.
Chego à farmácia e vejo umas folhas de entregas de encomendas de produtos que geralmente vêm esgotados. Apercebo-me que deu entrada deles. Folhas ali à espera que alguém resolva o problema. Trata-se de um stock fictício de produtos não existentes.
- Oh Chata, nem sabe o que me aconteceu. (Nhecanhecanheca) E agora?
- Agora faça uma devolução ou vá ao stock de cada produto e corrija.
(silêncio)
- Podia fazer-me isso... É tão rápida a trabalhar com o computador. Eu demoro o dia todo.
(Pá!!! Uma página e meia! 5 minutos!!!!)
- Oh Chata, já corrigiu o stock do Cymbalta?
- Não.
- Ai não? Então??
- Então que se o V diz que não corrige stocks, eu não vou andar a corrigi-los a torto e a direito por si.
- Oh Chata, veja lá, isto vem assim escrito na receita. Mesmo estando assim, posso dar genérico, não posso? A senhora quer...
(Epá, parece-me que é moda frequente que na outra farmácia era o mesmo. Desresponsabilizar-se das merdas que faz e transferi-las para a Do-tô-ra, bem ali à frente do utente. Ai a Dra diz que está fora de prazo, ai a Dra diz que está rasurada, ai a Dra diz que tem duas letras diferentes... Basta ter o Tico e Teco funcionantes!!! Se vai dar merda com a ARS não se aceita que ninguém me paga para fazer trafulhices!)
(Relance muito rápido à receita, era tão fácil não te meteres em confusões, V. Tenho uns olhos daqueles tipo Mente Brilhante, salta-me à vista o quipróquo das receitas, é olho clínico. Ou ser mesmo mesmo mesmo boa.)
- Não, o médico não autoriza genérico. Barrou a caixa com uma assinatura gigante... (Cara de cabra entediada)


Ai que esse coleguinha é de uma inteligência só.
ResponderEliminarSó e mal acompanhada.
izzie
ResponderEliminarNão teria dito melhor: só e mal acompanhada, mesmo!!
Ui... Li e recordei-me dos tempos da farmácia. Mudam os sítios mas há sempre "o/a coleguinha" que nos mói o juízo. Haja paciência...
ResponderEliminarOh colega farmacêutica, c'a raio. Tenho a certeza que há disto em todo o lado. Mesmo! Infelizmente!
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