domingo, 3 de julho de 2011

Enche-me o coração

Esta coisa dos animais domésticos, cães e gatos. 

A minha cadela a raspar à porta do meu quarto para entrar e vir para a minha cama. A minha gata ter uma fixação qualquer com as janelas do meu quarto. O meu cão parecer um doido esfaimado a saltar-me pernas acima quando se apercebe que está na hora do biscoito. Quando a minha cadela ladra e gane desalmadamente quando saio do carro. Quando a minha gata aparece, sorrateira, a ronronar e se vem roçar nas minhas pernas. Quando o meu cão gane ainda estou eu à entrada do prédio. Quando a minha cadela me dá lambidinhas nas mãos. Quando a minha gata ronrona e ergue o focinho disponibilizando posições para lhe fazer mimos na cabeça. Quando o meu cão me salta para o colo e me lambe a cara. Quando a minha cadela se aninha no meu colo. Quando a minha gata se aninha no fundo da minha cama. Quando o meu cão se aninha entre mim e o braço do sofá. Quando qualquer um deles me vem dar lambidelas na cara quando ainda estou na cama para me acordarem, para receberem o seu quinhão de mimos matutinos. 

Já perdi um cão. De surpresa, de rompante. Mandado abater por mim. Nos meus braços. No verão, à noite, 22h, depois de uma recuperação de uma cirurgia. Senti-o a perder as forças. E chorei abraçada a ele como uma perdida, com toda a gente a olhar para mim. Enterrei-o, visitei-o. Sinto-lhe a falta. Porque ficam. Porque marcam. Sei que fui má com ele, sei que lhe falei de modo bruto, sei que o amei e, apesar de tudo, sei que ele sabe isso. Que, nos seus últimos dias, fui uma abelhinha à volta do seu mel. E aprendi a lição. O momento é agora. Que sejam mimados, insuportáveis mas que saibam quem lhes quer bem... E, pá, enchem-me o coração!

2 comentários:

  1. Como eu entendo este teu post... podia ter sido escrito por mim, do inicio ao fim! (principalmente o fim...)

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  2. Amarela
    Adorava o cão apesar de conseguir ser um grande bruto dados os seus 40kg mas quando o vi a sofrer, sempre deitado, sem comer e só a beber água, um tumor do tamanho de uma bola de ténis que voltou depois de uma operação feita um mês antes, achei que seria egoísmo da minha parte mantê-lo comigo. E custou muito mas acho que, mesmo 4 anos depois, tomaria a mesma decisão...

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Debitem lá essas chatices...